segunda-feira, 28 de abril de 2014

domingo, 27 de abril de 2014

sábado, 26 de abril de 2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

domingo, 20 de abril de 2014

O monte



O monte

Perguntei ao monte o que faria
se estando perto do mar,
as ondas lhe tirassem
constantemente a grandeza
em erosão.

O monte foi muito sincero
e a brandura do seu coração fez-me calar.
Disse que na vida tudo passa
e também passará a sua grande majestade.
Assim, não há no que se preocupar.

Um dia, todos seremos poeira cósmica,
continuou o monte.
Seremos menos do que um grão nessa imensidão.
E fez-me sereno, confiante e atento
aos desígnios  da existência.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Os vivos não



Os vivos não

Parei naquela esquina, naquela...
Olho em volta e só vejo mortos,
por todos e por tudo, mortos.
Os vivos não.
Os vivos não estão lá.

Transeuntes passam ao largo,
decido andar.
Estreito-me por uma viela,
transpasso uma avenida
e chego até a praça.

Ali os mortos tem uma feição diferente,
ali morrem por abstinência.
Abstinência do vício de andar,
para qualquer lugar ou para lugar nenhum.
Não importa.

Vou até mais adiante
E chego aos arcos,
um grande centro cultural,
com seus burburinhos característicos,
mas não me detenho.

Porque lá os mortos também tem
uma tessitura diferente,
morrem por novidades.
Sejam notícias da sua própria morte,
ou de outros, não importa.

Atravesso a rua e me volto para um canal.
A água é suja e fétida,
parece mais um valão do que qualquer coisa.
Eu deixo a minha imaginação correr solta,
olhando para o local.

Naquele lugar os mortos são almas desencarnadas
não sentem o odor da matéria,
não sentem nada.
Nem de si mesmos nem de outros.
E também, não importa.

Parto e volto àquela esquina, aquela...
Olho em volta e só vejo mortos,
por todos e por tudo, mortos.
Os vivos não.
Os vivos não estão lá.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Por que meu Deus?



Por que meu Deus?

Por que meu Deus,
paro e escuto todos os dias
esse clamor por mais amor
que nunca é saciado
que nunca cessa de trazer dor?

O sábio disse:
A sua inquirição é procedente
e vale uma boa ponderação.
Deixe de lado as suas dúvidas,
relaxe e aquiete o coração.

Tracemos uma linha imaginária
de um ponto a outro da escada da sua natureza:
Num ponto primeiro dessa linha, vivaz,
estará a sua verdade.
É com ela que você tem que trabalhar, em primaz.

Num ponto último da linha
estará a verdade de Deus,
esperando para ser revelada.
Quando esses dois pontos encontrarem-se,
você terá a sua resposta, por todos aclamada.

Por que meu Deus?

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

domingo, 13 de abril de 2014

sábado, 12 de abril de 2014

Ah, a criação...



Ah, a criação...

Espalhando-me por todos os cantos:
Papéis jogados, tintas e restos de tintas,
lápis, grafite, pena, pincéis, jornais,
telas, livros, recortes,
mesa, luzes, pastas, materiais.

Tudo em volúpia,
tudo demais
e nada em estagnação.
Tudo em um fluxo,
uma corrente viva de criação.

Experimento, assim,
pelo meu trabalho,
uma transcendência.
Algo novo a roubar a cena,
a me fazer alguém em ascendência.

É a verve que me toma
como a um cálice de vinho
numa golada só,
de alguém que se compadece
da morte de alguém querido, oh dó!

Com ela vou fundo no meu labor
Esqueço do tempo, esqueço da dor,
lembro somente do meu caminho.
É aí que um novo trabalho surge
e me vejo de novo em desalinho.

Assim é arte, assim é a vida,
Estamos sempre com o coração na boca,
para depois criarmos algo em profusão
e já com a alma novamente desconjuntada,
encontramo-nos de novo em grande excitação.

Ah, a criação...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)



Divulga Escritor: 1 ano de existência

Divulgando, promovendo, estabelecendo vínculos, enfim, realizando.  É assim que o Divulga Escritor chega ao seu primeiro ano de vida.  Nesse período, muitos poetas, escritores, contistas, romancistas, literatos, professores, filósofos e educadores passaram por suas mãos. Celebrar um ano de vida nos recorda que o anseio por uma cultura mais ativa, mais abrangente e mais presente diz respeito a todos nós, leitores e participantes do Divulga Escritor.

Mauricio Duarte

Revista Divulga Escritor comemorativa de 1 ano do Divulga Escritor: http://www.divulgaescritor.com/products/revista-divulga-escritor-abril-maio/http://www.divulgaescritor.com/products/revista-divulga-escritor-abril-maio/

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Naquele dia



Naquele dia

Naquele dia,
livre das amarras da incompreensão,
voltei-me para o meu lado espiritual.
Mas nem tanto
que não pudesse antever
a minha encenação naquele palco.

Eu, artista barato,
eu, ator de comédia pastelão,
vivia de papel em papel,
pronto a dar o meu sangue
em cada um deles.
Mas não naquele dia.
Naquele dia eu era o próprio teatro.

Naquele dia as minhas forças
estavam além do fechar-se das cortinas.            
Eu era o ator principal da peça.
Meditando, meditador,
de uma espiritualidade
que me devolvesse
a interpretação de protagonista
do resto da minha vida.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)