domingo, 15 de dezembro de 2013

Reflexos de mim mesmo



Reflexos de mim mesmo

Enamorei-me de mim mesmo.
Tal qual Narciso estive perto e longe
da minha pessoa ao mesmo tempo.
Perto porque via meu reflexo no lago,
longe porque estava numa viagem do ego
e não tendo prazer com a minha própria presença.

Enamorei-me de mim mesmo.
E tal qual o olhar da Medusa,
virei pedra ao me fitar no espelho.
Primeiro porque
estava preso à estática do passado
e segundo porque não era amor o que eu sentia.

Enamorei-me de mim mesmo.
Caí de fronte ao espelho que se estilhaçara.
Sete anos de azar, não tem jeito.
Percebi que só me amando
poderia amar ao próximo.
Mas que lástima! Não me amo.

Enamorei-me de mim mesmo...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Como acabar com o problema grave das cutículas de unha?



Como acabar com o problema grave das cutículas de unha?

Levo dois dias para me desvencilhar da ideia de um suicídio global.  E mesmo ao fim dos dois dias ainda penso naquilo:  O que aconteceria se a maior parte da população decidisse que o suicídio seria uma opção razoável?
Afinal, um morto não come, não defeca, não tem inquietudes, não faz protestos trabalhistas, não faz greve, não tem que pagar contas, não dá trabalho, enfim.  E o que haveria de se providenciar?  Estoque de ataúdes e de jazigos nos cemitérios, flores, roupas pretas, mão de obra de coveiros.  Nada de muito dispendioso.
Pensando melhor, é uma boa ideia.  Está decidido...
A partir de amanhã, vão ser realizadas campanhas ininterruptas na TV, rádio e internet incentivando o suicídio.  É uma opção barata, prática e simples de acabar com todos os problemas pessoais.  Inclusive, as cutículas de unhas...   Não teremos mais problemas com cutículas de unhas com o suicídio global.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Amor quando chega é amor



Amor quando chega é amor

A sua ausência era dor.
Doce, atenta, meiga,
você se mostrava como flor.

Quando eu estava sozinho
só via o tempo passar
como num moinho.

Estava triste e só.
Você veio e eu renasci.
Voltei do pó.

Jurei, então, sempre permanecer,
nunca me afastar de você.
Estaríamos sempre juntos, até o fenecer.

Tanta pureza no coração,
fez-me resoluto.
Estaria contigo de antemão.

Tudo o mais seria apenas adendo
a findar no pôr do sol,
ou de madrugada, ao relento.

Barco que chega no cais.
Amor quando chega é amor
e nada mais...

(este poema é dedicado ao meu amor, Adriana Sobreira)
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

sábado, 14 de dezembro de 2013

domingo, 8 de dezembro de 2013

Barquinhos de papel



Barquinhos de papel

Navegando por entre barquinhos de papel,
dei-me conta que o leme não me obedecia
e eu ia de encontro aos recifes de um quintal chuvoso.

Olhava  e não via terra à vista.
Só os pingos da chuva caiam-me defronte
e eu vislumbrava torrentes de água da tempestade.

Quando eu era de um desses barquinhos o capitão,
já não tinha mais idade para fazer barquinhos de papel,
mas tinha amadurecido para singrar pelos mares

Foi o que fiz.
Encimei-me na proa e pus-me a navegar
quando chovia no quintal

Quando não, eu deixava as cartas náuticas
falarem mais alto
e punha-me a escrever estes versos...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Externando

Externando
guache s/ papel
20 x 29 cm
2013
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

A nossa mata morre



A nossa mata morre

Os céus e a terra clamam por vingança
quando o bicho homem pisa na floresta
e destrói o que de mais valioso existe:
O verde, o ar, a vida, toda esta...

Não se pode ver com exatidão
quando e porque tudo isso começou.
Uns dizem que foi na Revolução Industrial.
Só se sabe que o homem, esse tudo destroçou.

Os pássaros, os bichos da mata,
todos sofrem, em terrível açoite.
Morre eu, morre você, morre a mata, morre
a esperança de ter a paz de dia e de noite.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)