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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

“O Fim do Mundo”



“O Fim do Mundo”

“No fim de um mundo melancólico
os homens lêem jornais
Homens indiferentes a comer laranjas
que ardem como o sol
“Me deram uma maçã para lembrar
a morte. Sei que cidades telegrafam
pedindo querosene. O véu que olhei voar
caiu no deserto.
“O poema final ninguém escreverá
desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim me preocupa
o sonho final.”

João Cabral de Melo Neto

Visite o instagram da poetisa, escritora e palestrante Bartira Mendes . RESPIRANDO POESIA . https://www.instagram.com/respirandopoesia_bartiramendes/

Imagem: Peça de arte - Enredada . guache e nanquim s/ papel telado 240 g/m2 . 20 x 28 cm . 2016 . Mauricio Duarte - Disponível para venda.

“Os três mal-amados”



“Os três mal-amados”

“O amor comeu meu nome, minha identidade,
meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade,
minha genealogia, meu endereço. O amor
comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos
os papéis onde eu escrevera meu nome.
“O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas
camisas. O amor comeu metros e metros de
gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o
número de meus sapatos, o tamanho de meus
chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a
cor de meus olhos e de meus cabelos.
“O amor comeu meus remédios, minhas receitas
médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas,
minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus
testes mentais, meus exames de urina.”

João Cabral de Melo Neto

Visite a página da escritora, poetisa e palestrante Bartira Mendes . RESPIRANDO POESIA . https://www.facebook.com/bartiramendesrespirandopoesia/

Imagem: Litografia . 21 x 29,7 cm . Ilustração para poema Destruição de Carlos Drummond de Andrade . Mauricio Duarte . Disponível para venda.

sábado, 12 de agosto de 2017

Pai Eterno, eterno pai



Pai Eterno, eterno pai


Mesmo que o mundo diga que não,
mesmo que os tempos sejam moucos,
sei que meu pai sempre será o pai;
Pai, que eterno, não deixa de sê-lo
se ninguém acredita mais nele...

O trabalho e o valor do trabalho,
mesmo quando nos tiram este mesmo
trabalho...
Seis dias para criar o mundo,
descanso no sétimo dia...

Descanso?  Qual?
Só há o amanhã se há a labuta hoje.
De tudo o que meu pai me ensinou,
o valor do trabalho é o que fica
para mim... Sempre...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Feliz Dia dos Pais, meu pai, João Duarte Pinheiro!!!



Leia mais: http://www.divulgaescritor.com/products/pai-eterno-eterno-pai-por-mauricio-duarte/