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quinta-feira, 5 de maio de 2022

O sentimento do mundo

 Academia Virtual de Letras António Aleixo

Patrono: Frei José de Santa Rita Durão

Acadêmico: Mauricio Duarte

Cadeira: 39

Acadêmico Vitalício





O sentimento do mundo


Límpida, a água sobe para o céu,

enquanto esta minha mente vaga,

intangível, como um carrossel...


Infância dessas ternuras muitas,

um passado longíquo, lembranças;

minha alma vendo e antevendo as ruínas...


Mar sem porto, vida sem alegria,

Papel sem esboço, o tal esquecer.

Estilhaços, numa assim, letargia...


Quase não encontro razões, enfim,

prá olhar o sentimento do mundo,

que insiste em fazer lugar em mim...


Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Um sentimento assim



Um sentimento assim

Era um sentimento assim...

Olhei e vi
a derrocada gritante dos cabelos brancos,
em uníssono com a ligeireza das rugas.
Pensei, estou velho e carcomido.
Mas não era velhice, era algo indefinível.

Compreendi que aquela coisa
não iria desaparecer.
Estava eu de frente para ela
e ela de frente para mim
como uma miragem do deserto.

Amado e odiado ao mesmo tempo,
eu pude perceber que aquilo
atraía-me para longe das agruras da vida
e ao mesmo tempo,
lançava-as todas encima de mim.

Era um turbilhão de incertezas mórbidas
prontas para me fazer calar,
sem pestanejar.
Era a vida que vinha inexorável
pela alma adentro, com o tempo.

Era linha divisória alquebrada
entre a minha inquietude e a minha letargia.
Era flor jogada nos túmulos dos cadáveres
de dois mil anos atrás ou de ontem à noite.
E era incomensurável nessa incerteza.

Era um sentimento assim...

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)