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domingo, 12 de fevereiro de 2023

Alejandro Avakian: Força e autenticidade




Alejandro Avakian: Força e autenticidade

Existe um expressionismo abstrato conceitualmente realista? Pode algum artista trilhar o caminho de Courbet, dentro da concepção formal de um Pollock? Se as respostas para essas perguntas fazem um mínimo que seja de sentido (questiono o mesmo para as perguntas), Avakian certamente possui algo a nos dizer sobre isto em suas obras artísticas. Ou não... Porque a construção de suas pinturas abstratas é o que é. Pura arte, pura experimentação e pura realização...
Frescor, leveza, força e dinamicidade, tudo junto, ao mesmo tempo. A incompletude e a fragmentação do mundo contemporâneo em conjunto com o desejo de enlevo e totalidade do ser humano de todas as épocas em sincronicidades, a partir de sínteses visuais de alta carga estética. É isto que podemos esperar de uma obra de Avakian. E muito mais.
Tendo várias influências de expressionistas e neoexpressinistas, abstratos ou não, tais como George Baselitz, Anselm Kiefer, Willem de Kooning, Basquiat e do próprio Pollock, já citado, o artista argentino alcança uma independência, ainda assim, sem igual. Alejandro e seu espírito expressivo são forças motrizes em uníssono quando ocorre a criação artística. A action painting, nesse sentido, se dá em enormes obras em tamanho, cuja amplitude e energia se espalham por toda a extensão das telas.
As linhas e cores, manchas e superfícies, compõem uma fatura de pintura que se coaduna com a pintura à óleo de uma maneira singular. Se o artista escolhesse outro meio de pintura não teria possibilidade de usar várias camadas, porque o tempo de secagem da tinta à óleo é maior, o que possibilita mais tempo para misturar as cores, porque a tinta à óleo é mais brilhante naturalmente e isto cria cores mais vibrantes e vívidas.
E também, e aí é um ponto nevrálgico, a consistência da tinta à óleo é cremosa e amanteigada, que faz o artista modificar sua obra de acordo com a sua preferência, e traz prazer, muito prazer. Eis o ponto: prazer. Se existe um hedonismo positivo (tanto em artes quanto em outras dimensões da vida), Avakian atinge esse prazer em pintar... Prazer este que não é dado a priori. Mas que depende do momento, conforme sua criação. As cores dependem do momento, não há uma paleta fixa, o artista usa todas as cores e, às vezes, só o branco e preto. "São percepções que de pronto aparecem..." Segundo suas palavras. O inconsciente, dessa forma, é o norteador das suas experimentações que não se tolhem por amarras de nenhuma ordem ou categoria. O artista é livre e exerce essa liberdade de forma plena.
Segundo o próprio Avakian, que pinta ao som de jazz americano, suas preferências musicais são: Sara Vaughan, Billie Holliday, Ella Fitzgerald, Mille Davis e Louis Amnstrong. E também: En el Galpón de Buenos Aires, Charly García e Astor Piazzolla. O "improviso" e o "gestual", a "prontidão" e o "alerta-novidade", são fatores que englobam o seu fazer pictórico abstrato, especialmente vibrante e energizado.
Natural de Buenos Aires, Alejandro já participou de exposições em muitas partes do mundo, inclusive no Ethan Cohen Gallery, Kube em Nova York, bem como no La Galery Saint Paul de Vence, da França.
Que acompanhemos a sua trajetória artística profissional é de fundamental relevância para compreendermos nosso mundo contemporâneo tão cheio de contradições, incertezas e imprevisibilidades. Mas que sempre terá o frescor de uma arte rica e plena em possibilidades se assim o fizermos.
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
Contatos com o artista:
e-mail: alejandroavakian@yahoo.com.ar
telefone: +5491156392205

https://www.linkedin.com/pulse/alejandro-avakian-for%25C3%25A7a-e-autenticidade-mauricio-antonio-2f/?trackingId=b5zH2Atg0IssY1F0t0mKcQ%3D%3D

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Arte-enlevo / Artisticidade-enlevo

 Como cobrir toda a ampla e vasta especulação conceitual das sete análises e sínteses cognitivas e estéticas?



Criando conceitos chave que abarcam 50% e outros conceitos chave que abarcam os outros 50% de cada pensamento.
Arte-enlevo (artisticidade-enlevo) refere-se à análise e síntese de crítica de arte que transpasse a mera classificação de crítica da prática artística. Transpassa porque propõe o elevar de mentes e consciências dentro do cognitivismo, da semiótica e do existencialismo. Transpassa porque estaria em dinamicidade com expressões artísticas no êxtase, no enlevo. Propõe o elevar de mentes, consciências e espíritos tanto na pura crítica reflexiva, quanto no puro deleite de sensações e em âmbitos de maior apreciação estética plena. De que forma, e em que grau, esse enlevo será entregue, no contexto da analogia com as sete artes liberais, é matéria de discussão dessa análise e síntese.
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

domingo, 20 de dezembro de 2020

Sete artes cognitivo-ontológicas



 Sete artes cognitivo-ontológicas

As Sete Artes Cognitivo-ontológicas são o terreno da metáfora, o terreno do símile para com as Sete Artes Liberais. A Esteganografia, neste caso, trabalha, não por obscurantismo, mas por poesia, por poética.
Desse modo, à semelhança de uma Esteganografia, tenciono realizar uma analogia com As Sete Artes Liberais – o Trivium e o Quadrivium – tão utilizados na Idade Média, para criar um método de abordagem em análise estética e filosófica (basicamente) que englobe um Enlevo Perceptivo (arte-enlevo, interface-enlevo, índice-enlevo e espiritualidade-enlevo) e uma Ascenção Perceptiva (Pedagogia-ascenção, Filosofia-ascenção e Teologia-ascenção).
A Esteganografia é um método que assegura a transmissão segura de dados digitais na rede (web) ou numa intranet, a partir de algoritmo com a linguagem de programação Phyton. Uma Análise de Similaridade Estrutural de Imagens Esteganografadas com Python revela que uma imagem (foto, ilustração, gráfico) e sua versão esteganografada são extremamente similares e demonstram níveis de eficiência para a segurança (e para se obter uma cópia exata da imagem) muito grandes. Os aspectos gráficos das imagens são melhor considerados nessa técnica e é desconsiderado o uso de métodos mais sofisticados de criptografia.
Segurança e exatidão, confiança e similaridade... Por que usar essa analogia? Porque o mundo hodierno relega Deus a um papel de mero Criador que abandonou sua criação, indiferente – quando muito – ou de invenção da igreja para dominar, para explorar e escravizar a massa – em grande parte – e trata os desígnios divinos com escárnio, ironia e aversão.
Na Idade Média (quando foram criadas as Universidades, a despeito de tudo que se possa dizer a respeito da “Época das Trevas”) utilizava-se o Trivium e o Quadrivium. A imagem que se tinha do conhecimento humano – cognitivo-ontológico – era muito mais amplo, muito mais abrangente, muito mais complexo, muito mais humano e... muito mais real, ou ao menos, muito mais próximo do real. Mas como? E nossos progressos científicos? Nossas conquistas? Nossas tecnologias? Perguntariam muitos ou a maioria das pessoas... Nossas conquistas tecnocientíficas, de direitos humanos, culturais e artísticas, bem como em vários outros níveis e áreas não nos tornaram mais humanos, mais irmãos, mais reais. Pelo contrário, a adoção desse modelo de separação, de dissecação dos conhecimentos em partes cada vez menores, cada vez mais específicas nos permite sim analisar tudo, mas perdemos a síntese, perdemos o pensamento complexo, conforme coloca Edgar Morin e outros pesquisadores.
A arte tem como premissa um pensamento englobado em várias áreas – até por isto, o termo usado desde astronomia até música, desde matemática até gramática em tempos antigos – e embora hoje em dia não se fale mais em “arte” no lugar de ciência, a arte, hoje reconhecida como contemporânea, atua e considera um amplo espectro de áreas do conhecimento humano.
Enfim, as sete artes cognitivo-ontológicas (conforme as chamo) possuem uma similaridade com as sete artes liberais por tratarem do pensamento de forma holística, de forma inteira – e não dissecada – e, principalmente por considerarem Deus e o tempo de Deus, num tempo em que se esqueceu do Pai Eterno, do Divino Filho, Jesus Cristo e do Divino Espírito Santo. Um tempo em que uma análise de filosofia axiológica (de valores) é confundida com moralismo ou fanatismo religioso, por exemplo.
A imagem do homem contemporâneo de si mesmo é dúbia, subjetiva e débil. Não queremos com isto dizer que o homem de outros tempos era melhor, mas hoje, dispomos de uma tecnologia nunca antes utilizada. Com este nível de tecnologia, o nível de nossa consciência precisa estar acima, ou um pouco acima, desse nível tecnológico ou seremos engolidos por nossas próprias criações, seremos usados e manipulados pelas coisas e não usaremos ou manipularemos as coisas. Será – ou já é? – a coisificação do homem e da mulher, a coisificação da humanidade.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)


Referências:
Análise de Similaridade Estrutural de Imagens Esteganografadas com Python
Ewerton da Silva Farias
Geoflly Adonias
Carlos Regis
https://www.researchgate.net/…/59a9570ba6fdcc23984…/download
Similaridade Estrutural e Graph Matching
Pedro Henrique Pamplona Savarese https://www.cos.ufrj.br/…/slides/Pedro-Similaridade-estrutu…
Os setes saberes necessários à educação do futuro
Edgar Morin e UNESCO
Introdução ao Pensamento Complexo
Edgar Morin

Visite a página As Sete Artes Cognitivo-ontológicas :
https://www.facebook.com/seteartescognitivoontologicas

quarta-feira, 20 de março de 2019

DOIS FATORES




Dois fatores se unem, complementando-se um ao outro na ARTE-ENLEVO:

1o. A catarse - Agitar e chacoalhar o espectador para que consiga desembaraçar-se de seus fantasmas, sofismas e falsas crenças.

2o. O insight - Provocar e suscitar essa compreensão súbita que vem ao encontro de uma nova concepção de realidade, de universo através da arte.

Juntos levam ao ENLEVO, no qual o espectador toca o inefável, o incognoscível ou o infinito.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Índice-enlevo


Índice-enlevo
Um animal irracional, um cão, por exemplo, segue apenas seu focinho e reage ou vive experiências à medida que essas experiências chegam até sua esfera de percepção canina. Isto é, conforme citado por Chip Walter em seu livro “Polegares e Lágrimas . e outras peculiaridades que nos tornam humanos”, memória indexical, termo usado por Terrence Deacon para explicar as reações de uma criatura irracional guiada por instintos. Essas reações são “um índice linear de experiências ou reações que entram por um lobo cerebral e saem pelo outro.”
Traçando um paralelo com esse índice, a memória indexical, pode-se afirmar que o índice-enlevo se vale da consciência do presente – passado e futuro não existem, um já se foi e o outro não chegou ainda – para gerar símbolos de espiritualidade elevada. O córtex pré-frontal, responsável pela priorização, protelação ou inibição de atitudes, atividades ou reações mentais e a memória operacional são a causa da simbolização e da organização da linguagem. Linguagem é o que nos torna humanos e o que nos diferencia de um cachorro, nossa capacidade de deliberar, priorizar, tomar uma decisão sobre o que fazer, em suma, nossa capacidade de pensar. O fato é que o cão – assim como os outros animais irracionais – está tão imerso na sua natureza canina, que não pode ter consciência do Self. Apenas nós, humanos, temos consciência do Self. Quando o Self é transcendido, redimido ou quando temos um vislumbre da centelha divina por meio de um satori, por exemplo, – satori que é necessário ser ignorado, caso contrário, há a possibilidade de um desencaminhamento espiritual – nosso Self se plasma com Deus, com Gaia, com o Todo, com o inconsciente coletivo ou com a egrégora da qual fazemos parte e temos uma expansão da consciência, uma consciência cósmica desperta.
Dessa forma, o índice-enlevo trabalha num nível de fluxo torrencial, sem vacilações. A mente-que-sabe, como diz o pajé indígena, sabe e não se pergunta porque sabe, simplesmente sabe. A fonte da água da vida é dada pelo divino abundantemente e gratuitamente para quem medita de modo profundo. Essa “linguagem cósmica” é compartilhada pelos homens e mulheres despertos e ignorada pela multidão. Uma verdade que é única e que faz parte de uma realidade única que pode coexistir em muitos universos num cosmos, mas que sempre é una e trina. Pai (Eterno Deus Celestial), Filho (Jesus Cristo) e Divino Espírito Santo (Espírito Paráclito) que são três e um, ao mesmo tempo.
O índice-enlevo surfa nessa onda espiritual através da leitura, escrita, memória, oralidade e catalogação de referências textuais que remetam ao aprofundamento ou elevação transcendendo a mera intelectualidade e/ou erudição. Um tipo de conhecimento espiritual que só pode ser indicado (indexado) e não posto em palavras totalmente e, às vezes, nem mesmo parcialmente posto em palavras.
O reflexo da Lua na água não é a Lua, assim como o dedo que indica a Lua também não é a Lua. É um índice. Um índice-enlevo, se assim permitirmos.
Mauricio Antonio Veloso Duarte (Swami Divyam Anuragi)
Referências bibliográficas:
Polegares e Lágrimas . e outras peculiaridades que nos tornam humanos . Chip Walter . Editora Record . Rio de Janeiro . 2006
Bênção . a arte e a prática . David Spangler . Editora Rocco . Rio de Janeiro . 2004
O Dom da Sabedoria na Mente, Vida e Obra de Plinio Corrêa de Oliveira . Vítima Expiatória . Libreria Editrice Vaticana . São Paulo . 2016
Desvendando Mistérios . Chacras, Kundalini, os Sete Corpos e outros temas esotéricos . Osho . Editora Alaúde . São Paulo . 2006
Síntese do Budismo . Editora Brasil Seikyo . São Paulo . 2013
Teorias da Aprendizagem . O que o professor disse . Guy R. Lefrançois . Cengage Learning . São Paulo . 2016


sábado, 25 de novembro de 2017

Arte-enlevo . A conspiração da consciência



Arte-enlevo
A conspiração da consciência

Preâmbulo

O que é arte-enlevo? E de que se trata a conspiração da consciência? Temas amplos, de envergadura enorme.  Se limito a amplitude deste preâmbulo é por pura vontade de apegar-me à investigação científica em docência do ensino superior.  Minha inclinação intelectual, no entanto, é sempre a de romper barreiras e limites e açambarcar realidades a partir de generalizações.  Sempre fui desse modo ao tratar de algum objeto de estudo.  Sempre vi o todo e depois as partes.  Para um desenhista, isto é bom, até certo ponto, mas o resultado é que, no começo da minha carreira, meus trabalhos artísticos, às vezes, careciam de acabamento.  Os detalhes... “O diabo mora nos detalhes”, já disseram...
Mas enfim, é preciso começar do começo para usar mais um clichê.  Porque arte-enlevo? A arte já não é tudo que pode ser sendo apenas arte?  O utilitarismo em arte já não tinha sido abandonado definitivamente após toda a revolução tecnológica da fotografia, cinema, vídeo, entre outros aparatos? A resposta, a meu ver, é sim e não.  A arte ainda não é tudo o que pode ser, mas alcançou níveis de independência, originalidade, poder estético e de articulação e influência na atualidade nunca antes vista; a despeito de muita gente torcer o nariz para a arte contemporânea sem nem entender... Não sem motivo, dirão outros...  E porque digo que a arte não é tudo o que pode ser? Não é pelo mesmo motivo que é o que é. A aparente ou factual inutilidade da arte agrega um valor subjetivo infinito a uma peça de arte que pode se desprender das amarras do objeto tecnológico – design mediado pela técnica – ou das amarras ideológicas – design ou anti-design mediado pelo social – e passar a representar uma inumerável carga de significados a partir do significante projetado, criado, composto justamente para este fim.  No entanto, esta pretensa liberdade – ou factual liberdade – é tanto seu maior valor quanto seu calcanhar, seu tendão de Aquiles. Sabedores dessa questão, muitos artistas ao longo de todas as eras, criaram e cultivaram a arte visionária e a arte objetiva – ligadas à experiências metafísicas ou espirituais com uso ou não de psicoativos – cuja intenção primordial seria a expansão da consciência.  “Recentemente”, veio se somar aos tipos de arte existentes, a arte bruta e a arte naif – ligadas a execução de peças por artistas com problemas mentais ou por artistas que não tiveram formação artística acadêmica – o que alargou o espectro de definição das artes, bem como fez a grande contribuição da arte terapia, que se liga a propostas terapêuticas a partir da arte.  Mas me parece que há uma lacuna, nesse sentido, que escapa aos olhos do homem contemporâneo.   A expansão da consciência da humanidade como um todo, não pode se dar sem que ocorra a modificação de mentalidade, de pensamento, de atitude em um número considerável de pessoas que representariam uma massa crítica, cuja evolução carregaria todo o resto para esse nível avançado automaticamente, como um fluxo de instantaneidade.  A arte é individual, cada um a vê de um modo todo peculiar, próprio, seu.  Isto é verdade, mas é só parte da verdade.  O grande conjunto dos clássicos de obras artísticas – literárias, escultóricas, pictóricas, animadas, quadrinhográficas, cinemáticas, videográficas e outras – só é reconhecida como tal porque são compartilhadas.  Por este único motivo? Não. Eu diria que este é 50% do motivo. O imaginário coletivo elegeu um cânone, esse cânone seja erudito, cult, mid-cult, pop, é afastado, repelido ou usado e endossado por artistas, de acordo com suas conveniências e objetivos.  Objetivos... A arte pode não ser utilitária, mas possui objetivos.  Que objetivos tem a arte? Fazer pensar, discutir, questionar. Emocionar, afetar sentimentalmente.  Empolgar, suscitar valores, clarificar pensamentos ou simplesmente trazer um deleitar estético à baila.

Não se trata de dizer que a arte pela arte não existe ou não é válida. A fruição da arte envolve vários níveis. Dentre estes níveis, o espiritual, o enlevo espiritual.  Trata-se de dizer que ocorre algo maior que o atributo de ser prática artística da arte em certas peças de arte. Esse algo a mais é objeto de estudo aqui.  Desse modo, a arte-enlevo é um gênero de arte que fica no meio do caminho entre a arte visionária, a arte objetiva e arte terapia, basicamente, nas seguintes formas de contato:



ARTE-ENLEVO

A arte-enlevo propõe uma arte em que se transpasse o atributo de ser simplesmente arte da prática artística.  A arte-enlevo transpassaria a condição de arte porque estaria em dinamicidade com expressões artísticas no êxtase, no enlevo.  Propõe o elevar de mentes, consciências e espíritos tanto na pura crítica reflexiva, quanto no puro deleite de sensações e em âmbitos de maior apreciação estética plena.

Arte-enlevo, arte egóica e arte da neutralidade

Como havia diferenciação entre a serpente boa e a serpente má entre povos da Antiguidade, particularmente no Egito Antigo, entre boa e má arte, é lógico, há uma grande diferença.  Entre o Agathodaemon e o Kakodaemon, a serpente boa e a serpente má, segundo Blavastky no livro A Doutrina Secreta, ocorrem diferenças enormes.
Só na Idade Média passou-se a considerar as serpentes exclusivamente como más, como símbolos do mal.  Mas como os povos antigos chamavam os grandes sábios de serpentes ou dragões, hoje os grandes mestres, artistas, atletas ou intelectuais, por vezes, são chamados de “monstros sagrados”.  Por que serpente ou dragão?  Por que “monstro sagrado”?  Porque havia pensadores gregos que usavam a metáfora de comer o coração e o fígado das serpentes para adquirir a sabedoria, advinda da própria lenda ou mito ou construção filosófico-religiosa de Adão e Eva no Paraíso e as suas quedas por meio da maçã oferecida pela serpente à Eva.  O conhecimento do bem e do mal.  Suas palavras foram tomadas como verdadeiras e o sábio tem seus ensinamentos consumidos – ou assimilados – pelos adeptos para adquirir a sabedoria.
A arte egóica se contrapõe diretamente ou indiretamente à arte-enlevo.  É a arte em estado isolado, o sonho profundo, a escuridão, a inércia.  A arte da neutralidade como o próprio nome diz, propõe relações de troca entre o elevado e o negativo, entre o ego e a aniquilação do ego, sem opôr-se nem a um nem a outro.  Freneticamente ela propõe a atividade, seja essa atividade voltada para o elevar-se ou voltada para a baixeza, ao mesmo tempo, ou ora para um lado, ora para outro lado. 
Tamas (arte egóica), Rajas (arte da neutralidade) e Sattva (similar ou igual à arte-enlevo) seriam as correspondências dessas classificações de acordo com a Ayurveda em conjunto com a consciência elevada ou consciência cósmica, apontada por orientalistas e adeptos de religiões orientais e pensadas artisticamente, segundo nossa visão.
A arte egóica se concentra, em grande parte de sua atuação, no grotesco e no espalhafatoso, no exagero e na ilusão.  Mais comumente encontrada em obras de arte da arte pop e do mid-cult, mas pode ser encontrada até no cult e no erudito, quando pensamos em certas “degenerações” desse próprio movimento sem direção das elites/vanguardas ou pseudo-elites/vanguardas.
A arte da neutralidade se concentra, na maioria das vezes, em dubiedades e em subjetivismos, em conexões e em velocidades.  Mais comumente encontrada em obras de arte do cult e do mid-cult, mas pode ser encontrada, também, tanto na arte pop quanto na arte erudita, senão totalmente, mas parcialmente.
A arte-enlevo, por sua vez, se concentra na pureza e no equilíbrio, na vigília e na causa.  Mais comumente encontrada na arte erudita, mas pode igualmente ser encontrada no cult e no mid-cult, novamente salientando-se que nem sempre de forma total, mas apenas parcialmente.
Em nada interfere na qualidade de uma obra de arte ser erudita ou arte pop, cult ou mid-cult.  Dentro das proximidades ou afastamentos da cultura dita oficial ou do status quo, percebe-se uma grande mescla entre tais classificações.  Porém, não se pode deixar de dizer que a recorrência da arte-enlevo na arte erudita em muito a torna “recomendável” ou “preferível” frente a qualquer outra expressão de nível “inferior” como o cult, o mid-cult e a arte pop.

Relações de contato da arte-enlevo

A arte visionária pretende lançar mão de visões com experimentos em estados não-ordinários de consciência (ENOC) traduzidas para as artes visuais. A literatura do maravilhoso pretende mostrar o mágico e o místico com a rica realidade numa epifania individual. Qual a relação entre essas diversas tendências – e muitas outras – e a arte-enlevo?  A resposta, seja ela qual for, deve se situar num lugar de meio termo entre o transe meditativo e a imaginação espiritual sem ter tais elementos como definidores de sua poética e sem negá-las ao mesmo tempo. A rigor, a arte-enlevo possui relação direta ou indireta com a espiritualidade. O espiritualismo ou a espiritualidade evoca sensações, devoções e práticas muitas e desemboca, artisticamente, em estados poéticos vários, com n matizes, desde o misticismo xamânico até o pietismo religioso, de modo amplo.  Mas não usa de métodos quaisquer para os experimentos em ENOC que desembocarão em arte, como na arte visionária.  Para a arte-enlevo, o método para ser suscitador realmente de enlevo, tem que ser natural: meditação, mantra, oração, recitação, tai-chi-chuan, yoga mas não jejum, nem uso de psicoativos ou drogas, com exceção das usadas nas seitas Santo D´aime ou União do Vegetal, que possuem um contexto espiritual em torno do ingerir substâncias próprias, em determinados ambientes espiritualizados e com acompanhamento adequado. A bem da verdade, a exceção é apenas uma espécie de “desencargo de consciência”, porque este autor que fala não experimentou nem pretende experimentar nenhuma substância “para ter visões” ou para “expansão de consciência” em tempo algum.  Também, por outro lado, não faço nenhum favor a ninguém de registrar tal exceção, visto que as crenças e os tipos de crença são diversos e vários em suas formas e, inclusive, em sincretismos muito afeitos à brasilidade e à nossa realidade contemporânea mundial.
                De modo que, a arte-enlevo pode suscitar realidades no terreno da arte visionária e do maravilhoso, sem ser ou tornar-se, propriamente, arte visionária ou literatura do maravilhoso, sendo mais voltada a uma experiência estética que, generalizante ou generalista, por natureza, não se atêm a uma independência ou subjetividade própria, inerentes. Ao contrário, pode se juntar e/ou se plasmar com outras tendências – desde o anti-design, na comunicação visual até o neoísmo na experimentação artística e cultural; desde o expressionismo abstrato até a literatura fantástica – sem deixar de apresentar ou demonstrar sua preocupação maior em elevar mentes, consciências e espíritos. Sendo esta característica presente como a mola propulsora ou a pedra de toque do processo criativo ou ainda, o alvo a ser alcançado no resultado final da sua prática e teoria. Em qualquer desses três momentos a arte-enlevo propõe o espiritualismo, em essência, mas não descarta o materialismo sendo, nesse sentido, um ponto de contato entre o planejamento (projeto), prática (práxis) e teoria (conceito) no qual a arte possa ser plenamente vivenciada numa apreciação rica e elevada – necessariamente rica em desdobramentos e elevada em apreciação – que possa torna-la próxima do mid-cult, do cult, do erudito e da pop art, sem ser ou tornar-se, totalmente, qualquer uma dessas classificações.
                  Também não será arte objetiva ou arte sacra, no sentido espiritual do termo e nem arte-terapia ou arte-educação porque não possui compromisso com as agendas terapêuticas, espirituais ou educacionais de modo estrito. No entanto, apresenta um víés de exploração filosófico que, se não é açambarcante, em termos totalizantes, é, ao menos, realizado em primeira instância, a partir desse pensamento: dos “porquês”, dos “comos”, dos “ondes” e dos “quandos” no terreno da apreciação que suscita realidades ou que possa suscitar realidades questionadoras e de impulso ao elevar de apreciações antes ocultas e/ou ausentes do rol de percepções do homem e da mulher contemporâneos.
Por exemplo, porque não buscar compreender, artisticamente:

. O conceito de virgindade como sendo o olhar do ato amoroso (sexual) como a primeira vez e não como a ausência de prática amorosa (sexual).
. O conceito de alma-mundo como experienciar do planeta Terra do qual fazemos parte inextricavelmente.
. O conceito de honra, dignidade e valores como sendo inerentes aos seres humanos e não como “adendos” que nos são negados, muitas vezes, no mundo contemporâneo.
. O conceito de beleza, bondade e verdade como poética da vida e não como ideais que nada significam – ou significam muito pouco – para o cidadão médio e mesmo para muitas elites.
. O conceito de compaixão e de caridade como verdadeiras aventuras espirituais e/ou religiosas que levam a um aprofundamento da fé verdadeiramente e não como meros instrumentos apaziguadores ou atenuantes para a consciência pesada ou má consciência da classe média ou de muitas elites.
. O conceito de contemplação e do transcender definido como o sentir e o estar no mundo e não como um breve momento que é intercalado pela maior parte do dia, corrido e cheio de urgências.

                   Os exemplos citados são considerações pessoais minhas e podem, logicamente e subjetivamente, variar conforme a individualidade de cada artista.
                   Tais conhecimentos ou considerações ciclicamente desaparecem ou reaparecem das percepções humanas de tempos em tempos e podem ser mais facilmente ou mais dificilmente acessadas por estéticas artísticas e culturais, por pensamentos filosóficos e morais ao longo das épocas. A arte-enlevo propõe a permanência de temas, estilos ou tendências de atitudes “fora de moda” ou “fora de contexto” no arsenal estético artístico, independente da classificação ou denominação da vertente utilizada, mesmo se tais atitudes e/ou pensamentos não forem diretamente ou claramente identificáveis em determinada obra de arte.

Mauricio Antonio Veloso Duarte

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

ARTE-ENLEVO . 400 curtidas

E chegamos às 400 curtidas na página do facebook. É um prazer e uma honra contar com a presença de vocês na minha página ARTE-ENLEVO. Em breve teremos novidades. Estou aguardando receber o registro de direitos autorais de um texto que segue abaixo. Um grande abraço a todos. Paz e luz.



ARTE-ENLEVO

A arte-enlevo propõe uma arte em que se transpasse o atributo de ser simplesmente arte da prática artística.  A arte-enlevo transpassaria a condição de arte porque estaria em dinamicidade com expressões artísticas no êxtase, no enlevo.  Propõe o elevar de mentes, consciências e espíritos tanto na pura crítica reflexiva, quanto no puro deleite de sensações e em âmbitos de maior apreciação estética plena.

Arte-enlevo, arte egóica e arte da neutralidade

Como havia diferenciação entre a serpente boa e a serpente má entre povos da Antiguidade, particularmente no Egito Antigo, entre boa e má arte, é lógico, há uma grande diferença.  Entre o Agathodaemon e o Kakodaemon, a serpente boa e a serpente má, segundo Blavastky no livro A Doutrina Secreta, ocorrem diferenças enormes.
Só na Idade Média passou-se a considerar as serpentes exclusivamente como más, como símbolos do mal.  Mas como os povos antigos chamavam os grandes sábios de serpentes ou dragões, hoje os grandes mestres, artistas, atletas ou intelectuais, por vezes, são chamados de “monstros sagrados”.  Por que serpente ou dragão?  Por que “monstro sagrado”?  Porque havia pensadores gregos que usavam a metáfora de comer o coração e o fígado das serpentes para adquirir a sabedoria, advinda da própria lenda ou mito ou construção filosófico-religiosa de Adão e Eva no Paraíso e as suas quedas por meio da maçã oferecida pela serpente à Eva.  O conhecimento do bem e do mal.  Suas palavras foram tomadas como verdadeiras e o sábio tem seus ensinamentos consumidos – ou assimilados – pelos adeptos para adquirir a sabedoria.
A arte egóica se contrapõe diretamente ou indiretamente à arte-enlevo.  É a arte em estado isolado, o sonho profundo, a escuridão, a inércia.  A arte da neutralidade como o próprio nome diz, propõe relações de troca entre o elevado e o negativo, entre o ego e a aniquilação do ego, sem opôr-se nem a um nem a outro.  Freneticamente ela propõe a atividade, seja essa atividade voltada para o elevar-se ou voltada para a baixeza, ao mesmo tempo, ou ora para um lado, ora para outro lado. 
Tamas (arte egóica), Rajas (arte da neutralidade) e Sattva (similar ou igual à arte-enlevo) seriam as correspondências dessas classificações de acordo com a Ayurveda em conjunto com a consciência elevada ou consciência cósmica, apontada por orientalistas e adeptos de religiões orientais e pensadas artisticamente, segundo nossa visão.
A arte egóica se concentra, em grande parte de sua atuação, no grotesco e no espalhafatoso, no exagero e na ilusão.  Mais comumente encontrada em obras de arte da arte pop e do mid-cult, mas pode ser encontrada até no cult e no erudito, quando pensamos em certas “degenerações” desse próprio movimento sem direção das elites/vanguardas ou pseudo-elites/vanguardas.
A arte da neutralidade se concentra, na maioria das vezes, em dubiedades e em subjetivismos, em conexões e em velocidades.  Mais comumente encontrada em obras de arte do cult e do mid-cult, mas pode ser encontrada, também, tanto na arte pop quanto na arte erudita, senão totalmente, mas parcialmente.
A arte-enlevo, por sua vez, se concentra na pureza e no equilíbrio, na vigília e na causa.  Mais comumente encontrada na arte erudita, mas pode igualmente ser encontrada no cult e no mid-cult, novamente salientando-se que nem sempre de forma total, mas apenas parcialmente.
Em nada interfere na qualidade de uma obra de arte ser erudita ou arte pop, cult ou mid-cult.  Dentro das proximidades ou afastamentos da cultura dita oficial ou do status quo, percebe-se uma grande mescla entre tais classificações.  Porém, não se pode deixar de dizer que a recorrência da arte-enlevo na arte erudita em muito a torna “recomendável” ou “preferível” frente a qualquer outra expressão de nível “inferior” como o cult, o mid-cult e a arte pop.

Relações de contato da arte-enlevo

A arte visionária pretende lançar mão de visões com experimentos em estados não-ordinários de consciência (ENOC) traduzidas para as artes visuais. A literatura do maravilhoso pretende mostrar o mágico e o místico com a rica realidade numa epifania individual. Qual a relação entre essas diversas tendências – e muitas outras – e a arte-enlevo?  A resposta, seja ela qual for, deve se situar num lugar de meio termo entre o transe meditativo e a imaginação espiritual sem ter tais elementos como definidores de sua poética e sem negá-las ao mesmo tempo. A rigor, a arte-enlevo possui relação direta ou indireta com a espiritualidade. O espiritualismo ou a espiritualidade evoca sensações, devoções e práticas muitas e desemboca, artisticamente, em estados poéticos vários, com n matizes, desde o misticismo xamânico até o pietismo religioso, de modo amplo.  Mas não usa de métodos quaisquer para os experimentos em ENOC que desembocarão em arte, como na arte visionária.  Para a arte-enlevo, o método para ser suscitador realmente de enlevo, tem que ser natural: meditação, mantra, oração, recitação, tai-chi-chuan, yoga mas não jejum, nem uso de psicoativos ou drogas, com exceção das usadas nas seitas Santo D´aime ou União do Vegetal, que possuem um contexto espiritual em torno do ingerir substâncias próprias, em determinados ambientes espiritualizados e com acompanhamento adequado. A bem da verdade, a exceção é apenas uma espécie de “desencargo de consciência”, porque este autor que fala não experimentou nem pretende experimentar nenhuma substância “para ter visões” ou para “expansão de consciência” em tempo algum.  Também, por outro lado, não faço nenhum favor a ninguém de registrar tal exceção, visto que as crenças e os tipos de crença são diversos e vários em suas formas e, inclusive, em sincretismos muito afeitos à brasilidade e à nossa realidade contemporânea mundial.
                De modo que, a arte-enlevo pode suscitar realidades no terreno da arte visionária e do maravilhoso, sem ser ou tornar-se, propriamente, arte visionária ou literatura do maravilhoso, sendo mais voltada a uma experiência estética que, generalizante ou generalista, por natureza, não se atêm a uma independência ou subjetividade própria, inerentes. Ao contrário, pode se juntar e/ou se plasmar com outras tendências – desde o anti-design, na comunicação visual até o neoísmo na experimentação artística e cultural; desde o expressionismo abstrato até a literatura fantástica – sem deixar de apresentar ou demonstrar sua preocupação maior em elevar mentes, consciências e espíritos. Sendo esta característica presente como a mola propulsora ou a pedra de toque do processo criativo ou ainda, o alvo a ser alcançado no resultado final da sua prática e teoria. Em qualquer desses três momentos a arte-enlevo propõe o espiritualismo, em essência, mas não descarta o materialismo sendo, nesse sentido, um ponto de contato entre o planejamento (projeto), prática (práxis) e teoria (conceito) no qual a arte possa ser plenamente vivenciada numa apreciação rica e elevada – necessariamente rica em desdobramentos e elevada em apreciação – que possa torna-la próxima do mid-cult, do cult, do erudito e da pop art, sem ser ou tornar-se, totalmente, qualquer uma dessas classificações.
                  Também não será arte objetiva ou arte sacra, no sentido espiritual do termo e nem arte-terapia ou arte-educação porque não possui compromisso com as agendas terapêuticas, espirituais ou educacionais de modo estrito. No entanto, apresenta um víés de exploração filosófico que, se não é açambarcante, em termos totalizantes, é, ao menos, realizado em primeira instância, a partir desse pensamento: dos “porquês”, dos “comos”, dos “ondes” e dos “quandos” no terreno da apreciação que suscita realidades ou que possa suscitar realidades questionadoras e de impulso ao elevar de apreciações antes ocultas e/ou ausentes do rol de percepções do homem e da mulher contemporâneos.
Por exemplo, porque não buscar compreender, artisticamente:

. O conceito de virgindade como sendo o olhar do ato amoroso (sexual) como a primeira vez e não como a ausência de prática amorosa (sexual).
. O conceito de alma-mundo como experienciar do planeta Terra do qual fazemos parte inextricavelmente.
. O conceito de honra, dignidade e valores como sendo inerentes aos seres humanos e não como “adendos” que nos são negados, muitas vezes, no mundo contemporâneo.
. O conceito de beleza, bondade e verdade como poética da vida e não como ideais que nada significam – ou significam muito pouco – para o cidadão médio e mesmo para muitas elites.
. O conceito de compaixão e de caridade como verdadeiras aventuras espirituais e/ou religiosas que levam a um aprofundamento da fé verdadeiramente e não como meros instrumentos apaziguadores ou atenuantes para a consciência pesada ou má consciência da classe média ou de muitas elites.
. O conceito de contemplação e do transcender definido como o sentir e o estar no mundo e não como um breve momento que é intercalado pela maior parte do dia, corrido e cheio de urgências.

                   Os exemplos citados são considerações pessoais minhas e podem, logicamente e subjetivamente, variar conforme a individualidade de cada artista.
                   Tais conhecimentos ou considerações ciclicamente desaparecem ou reaparecem das percepções humanas de tempos em tempos e podem ser mais facilmente ou mais dificilmente acessadas por estéticas artísticas e culturais, por pensamentos filosóficos e morais ao longo das épocas. A arte-enlevo propõe a permanência de temas, estilos ou tendências de atitudes “fora de moda” ou “fora de contexto” no arsenal estético artístico, independente da classificação ou denominação da vertente utilizada, mesmo se tais atitudes e/ou pensamentos não forem diretamente ou claramente identificáveis em determinada obra de arte.

Mauricio Antonio Veloso Duarte (Swami Divyam Anuragi)



sábado, 2 de agosto de 2014

Fayga Ostrower e os universos da arte

Visite minha coluna e leia o novo texto . Fayga Ostrower e os universos da arte . de minha autoria. Boa leitura.

Fayga Ostrower e os universos da arte 

Nascida na Polônia em 1920, chegou ao Rio de Janeiro na década de 1930.  Foi gravadora, pintora, artista plástica, desenhista, ilustradora, teórica de arte e professora. 
Seu trabalho como pesquisadora de arte e escritora é magnífico.  Só para citar uma das inúmeras belas passagens das suas obras, podemos ressaltar, a título de divulgação, sua explanação a respeito de semelhanças e contrastes no livro Universos da Arte da Editora Campus, quando a autora coloca que quando um artista realiza uma composição, tem duas formas básicas para fazê-lo: através de semelhanças ou de contrastes.  Intuitivamente o artista fará predominar uma ou outra.  Por exemplo, Klee, trabalhará linhas e superfícies, através de semelhanças, Kandinsk: linhas e cores, através de contrastes ou Mondrian: superfícies através de contrastes.
Num outro capítulo desse mesmo livro, a autora resgata um conhecimento há muito relegado a segundo ou terceiro plano na maioria das academias de arte.  E coloca ainda, que tal ciência não está restrita ao campo da arte; ao contrário, tem suas implicações (tão duras e cruéis) na filosofia e no nosso cotidiano mesmo.  É a questão das proporções.  A expressividade que se realiza numa composição é um conjunto orgânico interligado com coerência em suas várias partes.  Nessas interligações existe uma relação entre as partes que é constante, uma proporção.  Na atualidade artística contemporânea, ocorre uma indiferença a respeito desse conhecimento que é utilizado apenas, quando muito, em projetos de arquitetura ou desenho industrial. 
A medida das coisas, a proporção.  Não é exagero observar que o maior problema das pessoas, hoje em dia, está ligado, de modo intrínseco, a isso.  Senão vejamos, a realização da personalidade, a procura da medida de si mesmo é algo premente e se era tarefa difícil em outros tempos, hoje, no clima mental que experimentamos, cheio de stress, atomização da individualidade e tantos outros males, esse conhecimento é ainda mais raro.  Daí decorre que a proporcionalidade não se atém apenas ao nível do estético.  Essas noções adquirem maior significado, dentro do contexto da ética, por exemplo. 
No livro Universos da Arte, Fayga Ostrower, com mais de vinte anos dedicados ao ensino da arte, apresenta os desdobramentos de um curso teórico ministrado a operários de uma fábrica, trazendo problemas e questionamentos dessas aulas.
Nos anos 1960, a artista lecionou no Spellman College em Atlanta, EUA, na Slade School da Universidade de Londres na Inglaterra e, depois, na pós-graduação de várias universidades brasileiras.  Também desenvolveu cursos para operários e centros comunitários, com o intuito de divulgar e democratizar a arte.
Os livros que publicou em teoria da arte, são: Criatividade e Processos de Criação, Universos da Arte, Acasos e Criação Artística, Sensibilidade do Intelecto, Goya, Artista Revolucionário e Humanista e A Grandeza Humana: Cinco Séculos, Cinco Gênios da Arte.  A artista que faleceu no Rio de Janeiro em 2001, teve sua biografia publicada pela editora Sextante em 2002.


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