Arte-enlevo propõe uma análise de arte em que se transpasse o atributo de ser simplesmente teoria da prática artística. Propõe o elevar de mentes e consciências dentro do cognitivismo, da semiótica e do existencialismo. Transpassa porque estaria em dinamicidade com expressões artísticas no êxtase, no enlevo. Propõe o elevar de mentes, consciências e espíritos tanto na pura crítica reflexiva, quanto no puro deleite de sensações e em âmbitos de maior apreciação estética plena.
domingo, 12 de fevereiro de 2023
Alejandro Avakian: Força e autenticidade
sexta-feira, 22 de abril de 2022
Tecnologia e Educação: As mídias na prática docente
Vários autores . Wendel Freire (org.) O livro apresenta a visão, a sistemática e as perspectivas do ensino de diversos educadores. Suas teorias, práticas (e práxis) com relação à utilização, especialidades, desdobramentos e consequências da mídia - e especialmente a mídia digital - no campo do ensino, na escola e na vida de discentes e docentes. Muito boa leitura para quem se aprofunda no mundo educacional. Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
sábado, 26 de março de 2022
Processo de abordagem em análise e síntese da arte-enlevo baseado na semiótica
Processo de abordagem em análise e síntese da arte-enlevo baseado na semiótica:
primeiridade - contemplar - catarse
Contemplar implica em "vagar sem rumo". Significa deixar ir todas as neuras e o stress do cotidiano para "ver o que é", ver o que é na verdade.
secundidade - discriminar - insight
Discriminar é dar o click com o insight. Discernir como é.
terceiridade - generalizar - enlevo
Generalizar é compreender totalmente. Abarcar o todo, elevar-se pela compreensão. Saber o todo.
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
quinta-feira, 3 de março de 2022
Heroísmo Filosófico e Conspiração de Consciência
Heroísmo Filosófico e Conspiração de Consciência
domingo, 6 de fevereiro de 2022
Loi Duc: Paisagem humana em profusão / Loi Duc: Human landscape in profusion
Loi Duc: Paisagem humana em profusão
O que há de mais humano em todas as civilizações, em todas as culturas, religiões, filosofias, conceitos e visões de mundo? A possibilidade de escolha, de livre arbítrio, de brigar ou não brigar, de estar ou não estar, de ir ou não ir. Também a tenacidade, a persistência, a força sem a qual, nenhum projeto humano tem lugar. A vida por si só já é um fim em si mesma. E celebrar essa labuta, essa luta, essa batalha diária é o que Loi Duc nos apresenta em suas pinturas.
Corpos que se contorcem, que se dobram, que se amam, que se odeiam, que se discordam, que se aglutinam, que se transformam... Paisagem humana em profusão, cuja debilidade e pujança, ao mesmo tempo, desafiam nossa percepção usual.
O artista tem em Michelangelo e na pintura da Alta Renascença italiana, seu referencial e influência maior. Também a temática de Céu e inferno, Deus e o diabo. Contudo, toda essa influência se transubstancia num grande e complexo todo de todas as conspirações, de todas as revoluções, de todos os manifestos, de criação, vida e morte da humanidade em todos os tempos. De hoje ou de mil séculos atrás ou eras atrás, não importa... O que importa para Loi Duc é traçar o atemporal humano em todas as suas vertentes, em todas as suas faces e em todas as suas possibilidades. E essa dura e penosa vida humana, tragédia ou comédia humana em baixos níveis ou em altos níveis é experimentada exatamente da mesma forma há milênios, há kalpas. O ser humano sempre ansiou por melhores condições de existência ou subsistência. Por melhores percepções revolucionárias ou rebeldes. Por melhores estados de entendimento, de compreensão, de fraternidade e verdade.
Em “In there’s have some people don’t like us” Loi Duc parece se perguntar se esse drama será eterno, se algum dia teremos paz na Terra. Ou se eternamente nos digladiaremos uns com os outros, nas diversas camadas da sociedade. Pintando com óleo, sua fatura pictórica é refinada e, ao mesmo tempo, propositalmente deixada por acabar, como se dissesse: o seu imaginário pode completar a pintura como quiser. Nesse sentido, o drama cósmico não tem fim, mas tem um lado claro na pintura de Loi Duc. O lado dos desprovidos, dos que necessitam ajuda. O lado do discordante. O lado do comunismo. Contra a elite, contra os que espoliam e matam de fome a maioria que nem de voz, nem de vez, pode desfrutar.
O comunismo como corrente que visa a eliminação das classes sociais, o igualitarismo, propriedade comum dos meios de produção. Toda a tônica desse pensamento aparece com vontade, força e vitalidade em suas pinturas. A foice e o martelo sempre surgem no emaranhado de corpos... Uma marca registrada do artista? Ou uma realidade vivida, experienciada, dia a dia, como militância política e social? Não importa, porque seu trabalho artístico fala por si mesmo.
Aliás, a militância, se existe, não restringe sua artisticidade, de modo algum. Ao contrário, a complementa de muitas formas. Sua verve vai além de todas as camisas de força. Loi Duc apresenta seus quadros com extrema voluptuosidade. Assertividade de excelência pictórica. Em “Inside the blanket” os “corpos nuvens” se interpenetram, com sofreguidão, indo ora ao encontro, ora ao desencontro uns dos outros. Essa dinâmica ou estética da tragédia humana – ou da comédia humana, conforme já foi dito – tem como referência a música de Pink Floyd, nas palavras do próprio pintor.
Dessa forma, temos o artista em estado de presença humana, sobretudo humana. De modo que, onde se vê máquinas, tecnologias, animais e figuras mitológicas juntamente com seres humanos, se vê que tais artefatos ou símbolos existem como relação ao humano. A medida é humana. Loi Duc sabe que a poeticidade de sua pintura reside nisto, exatamente nisto: seu humanismo. Seu mais profundo humanismo. Longe dos outputs e inputs cibernéticos, longe do cientificismo e da desumanização, longe das fins que justificam os meios. Próximo do que o torna mais humano: a possibilidade de sonhar, de imaginar. Em uma palavra, a utopia.
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
Loi Duc: Human landscape in profusion
What is most human in all civilizations, in all cultures, religions, philosophies, concepts and worldviews? The possibility of choice, of free will, to fight or not to fight, to be or not to be, to go or not to go. Also tenacity, persistence, the strength without which no human project takes place. Life in itself is already an end in itself. And celebrating this toil, this struggle, this daily battle is what Loi Duc presents us with in his paintings.
Bodies that writhe, that bend, that love each other, that hate each other, that disagree, that coalesce, that transform... Human landscape in profusion, whose weakness and strength, at the same time, defy our usual perception.
The artist has in Michelangelo and in the painting of the Italian High Renaissance, his reference and greatest influence. Also the theme of Heaven and Hell, God and the devil. However, all this influence is transubstantiated into a great and complex whole of all conspiracies, of all revolutions, of all manifests, of creation, life and death of humanity at all times. From today or a thousand centuries ago or ages ago, it doesn't matter... What matters to Loi Duc is to trace the timeless human in all its aspects, in all its faces and in all its possibilities. And this hard and painful human life, human tragedy or comedy at low levels or at high levels is experienced in exactly the same way for millennia, there are kalpas. The human being has always yearned for better conditions of existence or subsistence. For better revolutionary or rebel perceptions. For better states of compreehension, understanding, fraternity and truth.
In “In there’s have some people don’t like us” Loi Duc seems to wonder if this drama will be eternal, if we will ever have peace on Earth. Or if we will eternally fight with each other, in the different layers of society. Painting with oil, his pictorial work is refined and, at the same time, purposely left unfinished, as if to say: your imagination can complete the painting as it wishes. In this sense, the cosmic drama has no end, but it has a clear side in Loi Duc's painting. The side of the destitute, of those who need help. The dissenting side. The side of communism. Against the elite, against those who dispossess and starve the majority that neither voice nor time can enjoy.
Communism as a current that aims to eliminate social classes, egalitarianism, common ownership of the means of production. The whole tone of this thought appears with will, strength and vitality in his paintings. The hammer and sickle always appear in the tangle of bodies... A trademark of the artist? Or a reality lived, experienced, day by day, as political and social militancy? It doesn't matter, because your artwork speaks for itself.
In fact, militancy, if it exists, does not restrict its artisticity in any way. On the contrary, it complements it in many ways. His verve goes beyond all straitjackets. Loi Duc presents his paintings with extreme voluptuousness. Assertiveness of pictorial excellence. In “Inside the blanket” the “cloud bodies” interpenetrate each other, eagerly, sometimes meeting each other, sometimes not meeting each other. This dynamic or aesthetic of human tragedy – or human comedy, as has been said – has as a reference the music of Pink Floyd, in the painter's own words.
In this way, we have the artist in a state of human presence, above all human. So, where you see machines, technologies, animals and mythological figures together with human beings, you see that such artifacts or symbols exist in relation to the human. The measure is human. Loi Duc knows that the poeticity of his painting resides in this, exactly in this: his humanism. His deepest humanism. Far from cybernetic outputs and inputs, far from scientism and dehumanization, far from the ends that justify the means. Close to what makes him more human: the possibility of dreaming, of imagining. In a word, utopia.
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Arte-enlevo / Artisticidade-enlevo
Como cobrir toda a ampla e vasta especulação conceitual das sete análises e sínteses cognitivas e estéticas?
domingo, 30 de janeiro de 2022
Interface-enlevo / Interatividade-enlevo
Como cobrir toda a ampla e vasta especulação conceitual das sete análises e sínteses cognitivas e estéticas?
sexta-feira, 7 de maio de 2021
Módulo 1 - 2a. aula – Arte e criatividade
Módulo 1 - 2a. aula – Arte e criatividade
Meu nome é Mauricio Duarte. Sou designer gráfico, ilustrador, artista visual, escritor, poeta e romancista. Hoje quero abordar o tema da criatividade. Será que só existe criatividade na arte e no design? Alguns diriam que é o que mais falta na arte e no design contemporâneos da pós-pós-modernidade. Mas vamos nos ater, inicialmente, ao assunto de forma menos polêmica ou crítica.
A rigor, todos podem ser criativos, em qualquer atividade e em qualquer tempo. Artistas e designers não são monopolizadores desta característica humana. Mas qual a dinâmica da criatividade? Qual é a sua mecânica, qual é o seu processo? O momento da criatividade é constituído, geralmente, de etapas diferentes umas das outras e subsequentes. A fagulha de inspiração, o insight ou a iluminação com a qual resolvemos um problema, visualizamos uma imagem do que estávamos buscando (talvez há muito tempo) é uma dessas etapas. Porém, antes dela, normalmente, vem a coleta de dados, a partir da qual coletamos tudo relacionado à questão. Deixando a mente fervilhar com essas informações para chegar à segunda etapa: a incubação, ou o “cozinhar” da ideia, “dormir” sobre a questão, trabalhando o inconsciente. Depois o devaneio, ou a cartase ou o brainstorm no qual tudo explode em profusão de caminhos e soluções, durante, muitas vezes, uma atividade que nada tinha a ver com o problema determinado.
Após estas etapas vem a iluminação, o insight (que pode demorar ou não). Aquela sensação de “é isto!”. Tornar realidade e expressar o que pretendíamos vem a partir daí.
A arte-enlevo, abordagem de análise estética e filosófica, pretende usar a criatividade em altos níveis. Isto implica em autenticidade. Em geral, existem nas mídias, certas “ondas”, ou modas, nas quais se esgarça um estilo x ao seu ponto máximo a partir de um revival ou styling. Mas ser autêntico tem pouco a ver com “ondas” ou modas. Muitos – ou poucos – podem dizer que o próprio design, por exemplo, é o estilo da nossa época. Só mais um estilo – ou “o” estilo preponderante – e não um campo de conhecimento realmente válido em qualquer época ou era, como a arquitetura ou a arte. No entanto, esse argumento não invalida nem uma coisa nem outra. Porque a arte e a arquitetura antigas se reformularam tão profundamente e tão essencialmente, que pouca relação têm com a arquitetura de hoje, sendo o mesmo válido para a arte, em todas as suas formas.
Criatividade, nesse sentido, é esforço coletivo, no caso do design, por exemplo, responde a pequenos grupos de trabalho e a projetos muito específicos e por tempo limitado. Diferente da publicidade e do marketing, para citar uma atividade onde se utiliza mais fortemente a criatividade, mas que pode responder bem a equipes de trabalho muito numerosas por tempos maiores (a conta da agência nas várias campanhas publicitárias ou todo o processo de pesquisa de marketing até a sua adequação final).
Grupos criativos são, desse modo, a tônica do nosso tempo (século XXI), conforme coloca Domenico De Masi. A fantasia e a concretude se entrelaçam em diversos tipos de utilização da criatividade, segundo o autor. Construir um palácio não é escrever uma poesia. Ambos exigem criatividade, mas o poema, é eminentemente individual enquanto o palácio demanda enormes confluências de inúmeros cérebros, escultores, arquitetos, ourives e tudo quanto for necessário.
Ser autêntico, portanto, é balancear fantasia e concretude de modo a expressar excelentemente a obra, seja artística ou não. Para isto, se faz mister atrelar também conteúdo e forma a fim de “crear” e não apenas criar, como coloca o proeminente filósofo Huberto Rohden. “Crear” é, a um só tempo, ser original para consigo mesmo – antes de qualquer coisa – e para os outros – que a comunidade receba a obra positivamente faz parte de todo processo – na relação que é contra a corrente, fora de moda, se for o caso, se for da consciência do inventor ou artista. As “ondas” ou modas, ou estilos, são passageiros, mas o Templo de Deus é eterno. “Crear”, assim, é aproximar sua obra da obra de Deus, ciente de que a consciência precede a ciência e a tecnologia. E que a nossa consciência esteja em um nível acima do nível da tecnologia ou da ciência que usamos/desenvolvemos. Só a partir daí, não seremos manipulados pela tecnologia, mas seremos nós, a usarmos. “O engenho sem exercício, estraga.” E é verdade. Ou a criatividade é usada em sua plenitude ou, com o passar do tempo, não será usada nem nas pequenas porções que havia sido utilizada. Porque a musa inspiradora é vaidosa. Exige atenção, devoção, amor. Enfim, ou o trabalho é completo e criativo – forma e conteúdo – ou nunca será criativo e talvez nem se complete. Abraço grande.
Bibliografia consultada:
O Espírito Criativo . Daniel Goleman, Paul Kaufman, Michael Ray . Cultrix . São Paulo . 2009.
Filosofia da Arte . A metafísica da verdade revelada na estética da beleza . Huberto Rohden .
Martin Claret . São Paulo . 2007.
Criatividade e grupos criativos . Domenico De Masi . Sextante . Rio de Janeiro . 2003.
domingo, 24 de janeiro de 2021
INTERFACE-ENLEVO Abordagem de Análise Estética e Filosófica Mauricio Duarte
INTERFACE-ENLEVO
Abordagem de Análise Estética e Filosófica
Mauricio Duarte
Sinopse: O que nos reserva o futuro em termos de informação, educação, religiosidade, mídia, meio e mensagem, comunicação e arte? Talvez ainda não sejamos capazes de imaginar o que virá num exercício de futurologia...
Mas as redes sociais, as novas tecnologias portáteis e a inteligência artificial podem nos mostrar alguns vislumbres. Se são apenas sombras do que o homem do futuro será capaz ou se já são proto invenções da criatividade e da inventividade dos próximos anos; isto não nos cabe responder. A interface-enlevo, a interação homem / máquina, está sendo crucial no nosso atual estado pandêmico (Covid-19). Quem poderá prever que papel será reservado para essa interação daqui há algum tempo? Essa interação poderia considerar – e efetivamente propor – uma elevação, um enlevo espiritual? Se sim, é preciso pensar em mais do que projeto, ou “projética”, ou design ou mesmo design instrucional ou educacional. É preciso pensar em espiritualidade à distância, espiritualidade direcionada ou atravessada pela interação homem / máquina.
Que essa probabilidade possa vir a se tornar realidade, quem sabe, seja a mensagem que Deus está nos dizendo com essa doença – Corona vírus – que tanto nos desafia hoje em dia. Providência divina, ou acaso, não deixemos a oportunidade passar. Paz e luz.
Livro sob demanda no Clube de Autores
161 páginas
14 x 21 cm
Capa colorida
Miolo PB
São Paulo
2021
Preço (exemplar impresso): R$ 38,09 + FRETE dos correios
Preço (exemplar em e-book pdf): R$ 13,99
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sábado, 16 de janeiro de 2021
Nazarín
Nazarín
Ao analisar “o hálito morno” que perpassa o contexto dos livros de Milan Kundera, Carlos Fuentes em Geografia do Romance, chama de “idílio”. O vento “atrevido”, “constante” e “terrível” teria este nome: 'Idílio” Se é assim para o autor do clássico A Insustentável Leveza do Ser, qual seria o contexto – resumido em uma palavra ou em um termo – para os livros de Benito Pérez Galdós? Ou, para sermos mais humildes em nossa proposta de análise, qual seria o termo a resumir o contexto de Nazarin, um de seus romances? Esta pergunta pode não ser válida ou relevante... Mas continuemos.
Milan Kundera, autor do nosso tempo, é arcádico? Não, longe disso. Sua busca é outra. Contudo, a nostalgia é similar ao arcadismo. A nostalgia pelo simples, pelo amor puro. Nunca experimentado, portanto não é saudade, é nostalgia. E Galdós? É realista, sem sombra de dúvida. Embora seu realismo picaresco em Nazarín apele para um estado puro das coisas, um estado simples, representado pelo padre Nazarín, que se, talvez não fosse santo no começo do romance, certamente no fim, o era, porque recebe uma visita divina, provavelmente o próprio Jesus Redentor, que diz a ele, em sonho: “Alguma coisa você fez por mim.” De imediato, poderíamos pensar em Galdós como numa fantasia, num sonho, mas se isto procede, seria um sonho realista – se é que isto é possível – um sonho baseado em fatos. Por que digo isto? Porque um santo é um sinal de contradição – como o foi Jesus de Nazaré – o que o põe numa “classificação” de paradoxo. A vida de um santo ou de uma santa não possui esquemas prontos porque a santidade torna a pessoa alguém fora da roda do samsara, fora do Eneagrama e suas movimentações entre as nove pontas da estrela. Ele ou ela é redimido, suas movimentações são outras, não são previsíveis, como as nossas são, como as da maioria é.
A temática, nesse sentido, é diversa da temática da avassaladora maioria dos romances da nossa época (séculos XX e XXI). Galdós é do século XIX. Nazarín, publicado em 1895, junto com seus outros livros, põe o autor como um clássico da literatura espanhola. “O Balzac da literatura espanhola”, já disseram.
Como não pensar em Dom Quixote? Cervantes, o Machado de Assis da língua espanhola, constroi seus personagens no mesmo molde inconformista que Galdós. Ou, melhor dizendo, o padre santo de Galdós só foi possível por causa de Dom Quixote De La Mancha e todos os seus contrastes, bem como os livros que Machado escreveria com mordaz crítica social e humana. Teria existido uma “Questão Coimbrã”, conforme diz Massaud Moisés em A Literatura Portuguesa, nas letras espanholas se não tivesse Cervantes chegado antes com seu gênio moderno? Ou ainda, a Semana de Arte Moderna no Brasil teria sido adiantada, se daria anos antes do que foi, se não fosse Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho, a soprar ventos novos?
Nazarín, de todo modo, é um romance universal e que está além de todas as querelas rocambolescas de passagem de fase estilística ou até paradigmáticas. Atravessa os tempos incólume, como O Senhor dos Anéis ou O Nome da Rosa. Como O Estrangeiro ou Sidarta. É certo que o realismo quixotesco do padre andarilho o coloca como um personagem que, já na sua época, não era representante do zeitgeist. Embora configurado como emblemático da alma espanhola.
Tendo passagens de um gosto pícaro, dignas de Baudolino de Umberto Eco ou de Macunaíma de Mário de Andrade, o romance é uma desventura, uma patuscada, diriam alguns. Por força do seu realismo, uma figura tão autêntica e religiosa em profundidade, como Nazarín, não poderia ter outro destino do que a desgraça neste contexto de realidade.
Mas essa desgraça é real? Dizendo de outra forma, essa miséria é relevante para o contexto em si da obra? Não. Nazarín foi capaz de receber a visita de, nada mais, nada menos, do que Nosso Senhor no fim da contenda. Nazarín nunca se arrogou o direito de ser santo, nem que o chamassem de santo, preferindo a humildade e a resignação. Nazarín auxiliou centenas de pessoas doentes ao longo de suas andanças, junto com duas mulheres que atravessaram sua vida de sacerdote, inadvertidamente, antes dele se tornar caminhante, como Providência Divina, talvez... Nazarín conseguiu o feito de converter um ladrão na cadeia, em circunstâncias de mártir ou de herói – o padre foi espancado e teve sua defesa pelo ladrão. Por isto tudo, e muito mais, que o leitor pode conferir, se decidir folhear este livro, do começo ao fim, digo que o Nazarín teve sucesso. Um sucesso que o nosso mundo não reconhece. O termo, por conseguinte, a resumir o contexto do romance só pode ser este: A Graça aos olhos de Deus. Paz e luz.
Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)
Referências bibliográficas:
A Literatura Portuguesa, Massaud Moisés, Cultrix, 33a. Edição, São Paulo, 2005.
Geografia do Romance, Carlos Fuentes, Rocco, Tradução: Carlos Nougué, Rio de Janeiro, 2007.
Nazarin, Benito Pérez Galdós, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1990.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
As portas da percepção: Thuan
As portas da percepção: Thuan
“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo pareceria para o homem
tal como é: infinito.” - William Blake
O homem contemporâneo é doente, de muitas formas e em muitas
dimensões. É o que parece nos dizer o trabalho videográfico de Thuan. Mas há
também uma realidade subjacente aos vídeos de Thuan. Pode ser chamado de
verdade, Deus, Todo, qualquer coisa... Realidade acima, abaixo ou ao lado, em
paralelo à nossa realidade mundana comum, que guarda, em si mesma, um caminho
para o que é subversivo, o que é fora do padrão, não classificável, não
programável, “a verdadeira verdade”, una, pura e nua e tão incompreensível
quanto admirada ou tão rejeitada quanto inconformada. A realidade do rebelde, o
caminho do rebelde. Esse caminho Thuan trilha sem medo e sem fazer concessões.
O desejo de desvendar, de desvelar
os segredos de uma sociedade podre que aliena a multidão com “o pão e o circo”
é inerente ao espírito rebelde de hoje e de todos os tempos. Mas mais do que isto, o espírito rebelde
também sempre anseia ir além da realidade comum, escancarar as portas da
percepção, como diriam o poeta William Blake, o escritor Aldous Huxley ou o
vocalista do The Doors, Jim Morrison.
Há cerca de 500 anos atrás, o Abade
Trithemius elaborava a Estaganografia.
Método de criptografia criado por n razões, dentre elas, a magia, ou a
dispersão da divulgação da prática mágica por obscurantismo. Essa magia permeia
os vídeos de Thuan do começo ao fim. Desvelar e revelar são seus maiores
suportes. Mas nem tudo pode ser
revelado... Ou ao menos nem tudo que não tenha sérias consequências, para quem
revelou. Daí o porquê da minha citação à Estaganografia e à criptografia. Nada
mais, nada menos do que Cornelius Agrippa, Paracelso e Giordano Bruno beberam
na fonte do Abade Trithemius. Numa
analogia, um tanto quanto tosca, Thritemius seria o Hegel do ocultismo. Já que
de Hegel vieram Marx e Bakunin, o comunismo, o socialismo e o anarquismo, por
assim dizer, movimentos sociais e filosóficos que permearam o cenário mundial
muito tempo depois de Hegel. Thuan tem
uma metralhadora giratória, mas que só atira para os lados que ele quer. Não
significa que o criador videográfico esteja passando a mão na cabeça de alguns
dos poderosos de hoje ou das situações hodiernas. Não se trata disso. Antes, Thuan prepara o
terreno para largar a metralhadora e usar suas granadas de mão. “Santa granada de mão”, como diria o grupo
comediante inglês Monty Python... Seja
por rajadas de metralhadora, seja por verdadeiras bombas, o roteiro é sempre
contundente. Senão vejamos:
Em “Excêntrico como Método”, o
criador cineasta nos mostra uma tela em PB, com uma grande avenida de uma
metrópole qualquer, na qual passam carros, ônibus, táxis, e trafegam também
transeuntes quando o sinal fecha. Misteriosamente uma letra B gigante em branco
seguida por uma mão em preto como que “guardando na bolsa” aquela avenida e,
ainda, um Y estilizado no final. A razão desse mistério só compreendemos no
final. Embora antes, podemos ler claramente a palavra “BUY” como ordem absoluta
da sociedade de consumo. O mistério (uma gag visual) só é completo, no final,
conforme dissemos, quando desaparece a mão (que fazia as vezes do U), e o Y, e
fica só o B gigante em branco seguido agora pelo nome do autor, Thuan, formando
assim, o “By Thuan”, por Thuan, assinatura inconfundível do artista.
Em “O Tudo no Dia”, Thuan em
conjunto com Luiz Felipe Santana, mostra um espelho enviesado no que parece ser
um camarim, no qual se aproxima o ator ou a atriz num robe “de pele de onça”,
senta-se em frente ao espelho e começa a ler um texto, como que ensaiando seu
papel. O texto resume que só existe um dia, um único dia, e não centenas de
milhares de dias, conforme comumente pensamos. E ainda, que só no sonho
vivemos, só o sonho pode nos libertar. O “desejo sonhar” nesse caso é “desejo
viver”, em tradução livre do que pretende o autor. Só o sonho salva, o resto é
condenação, a morte, o fim. Após a leitura do texto, o ator bebe a taça de
vinho (provavelmente vinho) posicionada à frente do espelho, juntamente com uma
garrafa, desfocados (em segundo plano ou em primeiro plano? Depende do que
interpretamos porque o ator só é visto no seu reflexo do espelho) levanta-se e
sai definitivamente deixando só o reflexo do espelho focado. No final, numa
tela preta, se vê em letras amarelas, em formato de “manifesto” (ou uma paródia
do “manifesto artístico”?) o seguinte dizer: “Que se substitua o estudo da
História pelo estudo do dia”. “Pois só há um dia.” “Os mistérios da humanidade
residem em cada detalhe do dia”.
Em “Sobre a Observação”, o nosso
artista na direção (junto com Vitor Kruter) e roteiro própirio, nos defronta
com o passar vertiginoso do metrô em primeiro plano chapado, cortando depois
para o trafegar de carros se dirigindo para um túnel ou atravessando abaixo de
um viaduto. A água do mar, os peixes no aquário (ou os homens no aquário da
grande cidade que os peixes veem do aquário?). Um presidente azulado, de faixa
presidencial, com suas malas de viagem, parado numa calçada de cidade grande.
Tudo isto com uma música de fundo instigante, uma espécie de sinfonia, música
instrumental... Um transeunte esperando o trem, quase não o percebemos... Fecha
para a tela preta. Inicia uma conversa muito louca sem música (a conversa do
Chapeleiro Louco de Alice no País das Maravilhas?) com dois homens, sentados
numa mesa, pedindo que venha o garçom. A garçonete vem e serve (água ou
aguardente?) num único copo já posicionado na mesa. Fecha para uma tela preta
novamente. A música instrumental volta. Vemos o entardecer, no céu dos
arranha-céus...Os urubus, as nuvens, um insondável mistério que paira no ar:
para que vivemos, o que espera de nós, a existência? O que esperamos dela?
Carros trafegam, se dirigindo para abaixo do viaduto ou para dentro do túnel. O
trem que chega na estação... Transeuntes a caminhar... Tela preta. Volta a cena
com os dois homens sentados à mesa. Dessa vez reclinados e dormindo, tirando um
cochilo. A garçonete vem, acorda os dois e serve mais uma dose no copo que já
estava posicionado à mesa. A música instrumental dessa vez invade “a cena do
Chapeleiro Louco”. A cena vai para um ângulo superior, com os dois homens na
mesa vistos de cima. Corta para uma fenda num cubo azul em primeiro plano. Uma
criança menina observa a fenda do cubo azul, com um dos olhos, sugerindo que
ela viu tudo que se passou no vídeo inteiro dali...
Thuan é mestre e sabe como ninguém
descascar a cebola da realidade. Seria isto magia? Pode ser... Mas Thuan é
cristão e o cristianismo é subversivo a seu modo. Esta mágica é mais comum e natural do que
muitos de nós imaginam. Como já sabia o
Abade Trithemius. Afinal, a magia do rebelde está bem ali, espreitando na
próxima esquina de uma cidade grande qualquer...
Mauricio
Duarte (Divyam Anuragi)
domingo, 20 de dezembro de 2020
Sete artes cognitivo-ontológicas
Sete artes cognitivo-ontológicas
domingo, 13 de dezembro de 2020
ARTE-ENLEVO . Abordagem de Análise Estética e Filosófica . Mauricio Duarte
Adquira o livro Arte-enlevo, de minha autoria, Mauricio Duarte.








