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segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Minha participação na Revista Literária Café com Letras . Revista da ALTO . Academia de Letras de Teófilo Otoni na página 66

Minha participação na Revista Literária Café com Letras . Revista da ALTO . Academia de Letras de Teófilo Otoni na página 66.





Infinito

A vida dá um nó,
volta ao ponto inicial
e mostra logo o fim.
Um anel de moebius,
sem o tal começo,
nem fim, incólume...

A nos mostrar isto,
que a continuidade,
tônica de Deus,
é a diversidade,
nesse todo e ao redor,
como um infinito...

Mauricio Duarte
Escritor, poeta e membro correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni. Reside em São Gonçalo - RJ.

domingo, 13 de novembro de 2022

quinta-feira, 19 de maio de 2022

"DOIS CARAMURUS: UM ESTUDO DE ADAPTAÇÃO LITERÁRIA"




"DOIS CARAMURUS: UM ESTUDO DE ADAPTAÇÃO LITERÁRIA

TWO CARAMURUS: A STUDY OF LITERARY ADAPTATION

Dílson César Devides
Resumo: Este artigo estuda o resgate do épico brasileiro Caramuru, de Santa Rita Durão, por meio de suas adaptações, especificamente a feita pelo português João de Barros, em 1935.
Mostra como o adaptador lidou com a linguagem e a estrutura do texto, como pensou no público-alvo e como seria a recepção de sua obra.
Palavras-chave: Adaptação. Epopeia. Santa Rita Durão. Caramuru.
Abstract: This paper studies the rescue of the Brazilian epic poem Caramuru, written by Santa Rita Durão, through its adaptations, specifically the one made by the Portuguese João de Barros
in 1935. It shows how the adapter dealt with the language and the text structure, as he thought the target audience and how would be the reception of his work.
Keywords: Adaptation. Epic. Santa Rita Durão. Caramuru.
Sobre adaptações
Obras adaptadas não são, normalmente, vistas com bons olhos por aqueles que defendem a primazia do original. Certamente que se uma obra literária foi concebida para ser uma novela, ela deve ser lida, criticada, apreciada como tal. O que levaria então alguém a ler
uma adaptação? Um dos motivos poderia ser o fato de que a obra foi escrita em uma língua que o leitor não domina e, não havendo uma tradução (que conservasse o gênero textual, a estrutura narrativa etc.), restou-lhe a adaptação. Vendo por este prisma, a adaptação seria, de fato, algo menor. Mas se pensar que a adaptação foi concebida para o público infantil, por exemplo, que não teria como ter acesso ao original mesmo que fosse escrito no mesmo idioma das crianças em questão, e que não teria competência para lidar com o linguajar mais denso e elaborado de um texto para adultos, possibilitando assim que leitores em formação, já cedo em sua vida literária, tomassem contato com textos fundamentais da literatura, a adaptação passaria
a ser um instrumento de valor inestimável. Em outras palavras, rechaçar uma obra adaptada pelo simples fato de sê-la é uma atitude, no mínimo, precipitada; pois “o ato de adaptar uma
obra para determinado público não deve caracterizar um procedimento condenável em si mesmo” (FARIA, 2008, p.36).
Possibilitar que crianças em início de alfabetização possam ter contato com texto como Dom Quixoteou a Odisseia, que jovens desinteressados por livros possam apaixonar-se por Machado de Assis depois de ler algum de seus contos transformados em história em
Doutorando em Letras pelo IBILCE/Unesp. Mestre em Letras pela UFMS. Professor da FATEC LINS/BAURU
– CEETEPS. E-mail: dilson.devides@fatec.sp.gov.br
Ribanceira - Revista do Curso de Letras da UEPA
Belém. Vol. VI. Num.1. Jan.-Jun.2016
[ISSN Eletrônico: 2318-9746]
quadrinhos, que obras esquecidas voltem a ter o merecido destaque depois de serem transpostas para a televisão em uma minissérie ou que escolares em véspera de exames possam
compreender um pouco do enredo de uma obra ao jogar sua adaptação para videogame; são aspectos louváveis das adaptações em suas mais variadas realizações, pois facilitam a apreciação de textos complexos e quebram possíveis barreiras que os jovens possam lhe haver imposto ante o texto literário. “Assim, a adaptação de obras ao gosto dos jovens seria a solução
ideal para resolver o problema deles em relação à falta de interesse e preparo intelectual”
(FARIA, 2008, p.38).
É um erro já bastante discutido imaginar que o adaptador é alguma espécie de usurpador da obra alheia, que rouba uma ideia e tira vantagem dela. Seria ignorarmos aquilo que Borges (1989) nos dizia em relação aos precursores. Dito de outro modo, para muitos a adaptação seria precursora da obra original, uma vez que foi por meio dela que tomaram conhecimento do texto que, cronologicamente, veio primeiro. Dessa forma, ao adaptar uma
obra, está-se criando novos caminhos para aceder ao original, cabendo ao adaptador “[...] o papel de mediador entre o leitor [...] e a obra literária original” (VIEIRA, 2010, p.29). A adaptação objeto deste estudo dá-se de texto literário para texto literário, não
envolvendo as diferentes mídias hodiernas, as quais Linda Hutcheon faz referência em seu Uma Teoria da Adaptação, destacando os diversos modos pelos quais ocorre a transcodificação de um texto quando é adaptado para o teatro, cinema, tevê, jogos digitais e afins, ou mesmo se o caminho for inverso, um jogo é adaptado para literatura, por exemplo. A isso ela chama de intersemiótico, uma vez que “[...] essa transcodificação implica uma mudança de mídia” (2013,
p.61), já que se mudaria o meio de expressão pelo qual a adaptação teria suporte. No texto em questão não há tal transcodificação, uma vez que tanto o original quanto o adaptado
permanecem no âmbito da literatura impressa. As alterações que se dão se explicam, dentre outros motivos, pela ideia “[...] de que a adaptação não precisa ser rígida em seus moldes. Pode-se mudá-la em sua totalidade e gênero, desde que se mantenha sua essência, com a finalidade de aproximar o leitor iniciante do universo literário [...]” (VIEIRA, 2010, p.30).
A adaptação é, portanto, um trabalho autoral, no qual se vê as marcas do adaptador. É também um trabalho importantíssimo se se pensar em suas aplicações didático-pedagógicas.
Em suma, as adaptações precisam e devem ser valoradas como produto da cultura letrada, que amplia os horizontes culturais para os mais diversos suportes midiáticos, possibilitando assim,
uma convergência cultural bem ao gosto de Martín-Barbero e Henry Jenkins.
29
BORGES, J. L. Kafka e seus precursores In: Outras inquisições. São Paulo: Globo, 1989.
Ribanceira - Revista do Curso de Letras da UEPA
Belém. Vol. VI. Num.1. Jan.-Jun.2016
[ISSN Eletrônico: 2318-9746]
Se uma obra é rotulada de adaptação, é evidente que tenha se pautado em outra que seria a original. Faz-se então necessário recorrer a esta que foi, de alguma forma, geradora da segunda, a adaptada, e cotejá-la suficientemente para se ter os subsídios necessários ao posterior exame da adaptação. Portanto, passa-se ao épico de Durão.
O CARAMURU, de Santa Rita Durão
Estudar a história da literatura de um país é uma forma muito válida de ser ter um amplo panorama do modo pelo qual aquela pátria registrou, pela arte da palavra, os diversos momentos pelos quais passou. Nesse estudo, depara-se com obras e escritores conhecidos, estudados e lidos com frequência e com outros que por algum motivo caíram no esquecimento. Basta folhear a História concisa da literatura brasileira, de Alfredo Bosi, para encontrar autores tidos como canônicos (Machado de Assis, José de Alencar, Carlos Drummond de Andrade, para ficar apenas em três exemplos) e outros que praticamente sumiram das prateleiras das livrarias, dos bancos escolares e dos estudos acadêmicos, como o barroco Diogo Grasson Tinoco, o árcade Francisco de Melo Franco e o romântico Aureliano Lessa. Outros ainda lograram algum destaque por terem desempenhado importante papel histórico, como Bento Teixeira, autor de Prosopopeia, obra inaugural do Barroco brasileiro; e de Teixeira e Souza, autor de O filho do pescador (1843), primeiro romance romântico brasileiro.
O Caramuru, de Frei José de Santa Rita Durão, é uma obra de valor e reconhecimento controversos. Alguns críticos veem nela apenas valor histórico, como Waltersin Dutra ao afirmar que “[...] o Caramuru sobrevive ainda apenas pela sua posição histórica: foi o primeiro a tomar como motivo uma lenda local, a falar no índio brasileiro e a descrever seus costumes”
(1968, p.349). Outros, como Antonio Candido (1976, p.187), acreditam que o épico de Durão é pouco estudado e, pior, mal estudado. No entanto, parece haver consenso quanto ao aspecto
indianista da obra. Durão conseguiu mostrar o indígena brasileiro mais real que seu contemporâneo Basílio da Gama.
Os costumes das tribos brasileiras, a fauna e a flora são retratados com algum rigor, possibilitando uma visão razoável da realidade. As informações de que se vale Durão são atribuídas principalmente à História da américa portuguesa, de Rocha Pita. Encontra-se pelo
épico boas descrições de plantas, animais e de ritos indígenas, que elucidam muito claramente o que era o Brasil. É o que se vê no Canto VII, quando Diogo Álvares relata ao rei da França
as maravilhas do Novo mundo:
Ribanceira - Revista do Curso de Letras da UEPA
Belém. Vol. VI. Num.1. Jan.-Jun.2016
[ISSN Eletrônico: 2318-9746]
XXXIII
(...)"
Trecho do artigo de Dílson César Devides sobre O CARAMURU de autoria de Frei José de Santa Rita Durão.

sábado, 16 de outubro de 2021

Sem fronteiras pelo Mundo...

 


LIVRO Sem fronteiras pelo Mundo...
Coletânea Literária Internacional em Verso & Prosa
VOL. 3
Editora Rede Sem Fronteiras
Rio de Janeiro
2018
Organizadora: Dyandreia Valverde Portugal
23 x 16 cm
524 páginas
Participação do autor da LITERAGONÇA: Rogério Araújo (Rofa)
Capa colorida
Miolo PB
Preço promocional: R$ 15,00 + FRETE dos correios

LIVRARIA LITERAGONÇA: http://literagonca.com


quinta-feira, 10 de junho de 2021

- - - Livro de Ouro - - -


 - - - Livro de Ouro - - -

Muito agradeço a excelente e sempre atenta amiga e apoiadora Vera Vianna com sua ajuda em todos os momentos para a minha carreira como escritor, poeta, artista visual e designer gráfico. Também em muito contribui para o meu enlevo e
ascensão como ser humano e pessoa do planeta Terra que tanto precisa de nossos esforços e atuação em nível de valores e de moral.

sábado, 16 de janeiro de 2021

Nazarín

 


Nazarín


Ao analisar “o hálito morno” que perpassa o contexto dos livros de Milan Kundera, Carlos Fuentes em Geografia do Romance, chama de “idílio”. O vento “atrevido”, “constante” e “terrível” teria este nome: 'Idílio” Se é assim para o autor do clássico A Insustentável Leveza do Ser, qual seria o contexto – resumido em uma palavra ou em um termo – para os livros de Benito Pérez Galdós? Ou, para sermos mais humildes em nossa proposta de análise, qual seria o termo a resumir o contexto de Nazarin, um de seus romances? Esta pergunta pode não ser válida ou relevante... Mas continuemos.

Milan Kundera, autor do nosso tempo, é arcádico? Não, longe disso. Sua busca é outra. Contudo, a nostalgia é similar ao arcadismo. A nostalgia pelo simples, pelo amor puro. Nunca experimentado, portanto não é saudade, é nostalgia. E Galdós? É realista, sem sombra de dúvida. Embora seu realismo picaresco em Nazarín apele para um estado puro das coisas, um estado simples, representado pelo padre Nazarín, que se, talvez não fosse santo no começo do romance, certamente no fim, o era, porque recebe uma visita divina, provavelmente o próprio Jesus Redentor, que diz a ele, em sonho: “Alguma coisa você fez por mim.” De imediato, poderíamos pensar em Galdós como numa fantasia, num sonho, mas se isto procede, seria um sonho realista – se é que isto é possível – um sonho baseado em fatos. Por que digo isto? Porque um santo é um sinal de contradição – como o foi Jesus de Nazaré – o que o põe numa “classificação” de paradoxo. A vida de um santo ou de uma santa não possui esquemas prontos porque a santidade torna a pessoa alguém fora da roda do samsara, fora do Eneagrama e suas movimentações entre as nove pontas da estrela. Ele ou ela é redimido, suas movimentações são outras, não são previsíveis, como as nossas são, como as da maioria é.

A temática, nesse sentido, é diversa da temática da avassaladora maioria dos romances da nossa época (séculos XX e XXI). Galdós é do século XIX. Nazarín, publicado em 1895, junto com seus outros livros, põe o autor como um clássico da literatura espanhola. “O Balzac da literatura espanhola”, já disseram.

Como não pensar em Dom Quixote? Cervantes, o Machado de Assis da língua espanhola, constroi seus personagens no mesmo molde inconformista que Galdós. Ou, melhor dizendo, o padre santo de Galdós só foi possível por causa de Dom Quixote De La Mancha e todos os seus contrastes, bem como os livros que Machado escreveria com mordaz crítica social e humana. Teria existido uma “Questão Coimbrã”, conforme diz Massaud Moisés em A Literatura Portuguesa, nas letras espanholas se não tivesse Cervantes chegado antes com seu gênio moderno? Ou ainda, a Semana de Arte Moderna no Brasil teria sido adiantada, se daria anos antes do que foi, se não fosse Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho, a soprar ventos novos?

Nazarín, de todo modo, é um romance universal e que está além de todas as querelas rocambolescas de passagem de fase estilística ou até paradigmáticas. Atravessa os tempos incólume, como O Senhor dos Anéis ou O Nome da Rosa. Como O Estrangeiro ou Sidarta. É certo que o realismo quixotesco do padre andarilho o coloca como um personagem que, já na sua época, não era representante do zeitgeist. Embora configurado como emblemático da alma espanhola.

Tendo passagens de um gosto pícaro, dignas de Baudolino de Umberto Eco ou de Macunaíma de Mário de Andrade, o romance é uma desventura, uma patuscada, diriam alguns. Por força do seu realismo, uma figura tão autêntica e religiosa em profundidade, como Nazarín, não poderia ter outro destino do que a desgraça neste contexto de realidade.

Mas essa desgraça é real? Dizendo de outra forma, essa miséria é relevante para o contexto em si da obra? Não. Nazarín foi capaz de receber a visita de, nada mais, nada menos, do que Nosso Senhor no fim da contenda. Nazarín nunca se arrogou o direito de ser santo, nem que o chamassem de santo, preferindo a humildade e a resignação. Nazarín auxiliou centenas de pessoas doentes ao longo de suas andanças, junto com duas mulheres que atravessaram sua vida de sacerdote, inadvertidamente, antes dele se tornar caminhante, como Providência Divina, talvez... Nazarín conseguiu o feito de converter um ladrão na cadeia, em circunstâncias de mártir ou de herói – o padre foi espancado e teve sua defesa pelo ladrão. Por isto tudo, e muito mais, que o leitor pode conferir, se decidir folhear este livro, do começo ao fim, digo que o Nazarín teve sucesso. Um sucesso que o nosso mundo não reconhece. O termo, por conseguinte, a resumir o contexto do romance só pode ser este: A Graça aos olhos de Deus. Paz e luz.


Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)



Referências bibliográficas:


A Literatura Portuguesa, Massaud Moisés, Cultrix, 33a. Edição, São Paulo, 2005.


Geografia do Romance, Carlos Fuentes, Rocco, Tradução: Carlos Nougué, Rio de Janeiro, 2007.


Nazarin, Benito Pérez Galdós, Editora José Olympio, Rio de Janeiro, 1990.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Sintonia com o divino



Leia o texto "Sintonia com o divino" de minha autoria, Mauricio Duarte, na Revista Divulga Escritor no. 35 . Revista Literária da Lusofonia . Uma revista maravilhosa tanto em conteúdo quanto em design .

https://issuu.com/smc5/docs/35_divulga_escritor_revista_literar/105


quinta-feira, 7 de junho de 2018

São Bernardo e sua especificidade literária




São Bernardo e sua especificidade literária

A boa prosa não pode ser convertida em poesia.  Ela é romance, conto, crônica ou artigo e conta uma história, longa ou curta, explana uma ideia ou emite uma opinião.  Assim é com toda prosa de qualidade superior e assim é com São Bernardo por Graciliano Ramos.  O romance, um clássico do renomado autor, é uma crítica à situação sócio-política da época.  E por causa de sua linguagem – fora da linguagem poética – é excelente como história porque carrega opostos num mesmo contexto do enredo; ainda que, no entanto, não faça desses contrastes um cristal, um poliedro, conforme diz Domingos Carvalho da Silva em “Uma Teoria do Poema”, mas é “radial e aprofunda os seus pormenores em todas as direções”.
Ora Paulo Honório, fazendeiro personagem protagonista do romance, tenta convencer Madalena a casar-se com ele, elogiando seus conhecimentos acadêmicos e sua posição como professora, ora, anteriormente, tenta convencer Dona Glória a fazer com que a sobrinha dela, Madalena, abandonasse a carreira de professora por ser mal remunerada.  Esta multitudinária cosmogonia dos mundos interiores e exteriores, que se entrelaçam entre si, são todas partes da obra e demonstram a sua grande relevância.  A rudeza, a violência e a truculência de Paulo Honório também contrastam com a sensibilidade de Madalena, que depois, já casada com o proprietário de fazenda, acaba por suicidar-se, sufocada que estava com o relacionamento frustrante e aterrador, em muitos aspectos, com Paulo Honório.
O narrador-personagem, aliás, já no capítulo 1, se torna como que um símbolo da questão arte/linguagem, ao “esconder” o Graciliano Ramos-escritor e metamorfoseá-lo em narrador-personagem fazendeiro, que decide escrever um relato.  Tal forma de narrar vai se mantendo ao longo do romance, no qual diversas vezes, o personagem acusa Gondim – e outros colaboradores-personagens da escrita de Paulo Honório – de pernosticismo, de idiotia e de safadeza, por não terem suas colaborações escritas, aproximação com a linguagem oral, conforme salienta Godofredo de Oliveira Neto em posfácio do próprio livro.  Graciliano Ramos, ainda de acordo com anotação de Godofredo de Oliveira Neto, “não está procurando propriamente uma realidade oral”, mas aproximar a carga simbólica da escrita do simbolismo da oralidade.  “O essencial da história que o narrador tem na memória – ou na imaginação – não pode ser compartilhado. Aquela realidade (...) só poderá ser descrita pelo próprio Paulo Honório.”
Os conflitos internos do homem, ser humano contemporâneo de 1930, são tema dessa inegável fabulosa obra literária.  A miséria do personagem fica patente em todos os seus contornos e demonstrada como crítica da estrutura social da época – e, muito provavelmente, até hoje, de um modo ou de outro – com valor literário inestimável.  Vale a pena, sem dúvida, ler e reler, sempre, Graciliano Ramos em São Bernardo.

Mauricio Duarte (Divyam Anuragi)

Referências bibliográficas:

São Bernardo . Graciliano Ramos  . Editora Best Bolso . Coleção Vira-Vira .  4ª. Edição  .  Rio de Janeiro . 2012

Uma Teoria do Poema . Domingos Carvalho da Silva . Editora Civilização Brasileira . 2ª. Edição . Rio de Janeiro . 1986

Leia mais em: https://www.divulgaescritor.com/products/sao-bernardo-e-sua-especificidade-literaria-por-mauricio-duarte/

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Sinopse do livro OS ARCANOS, romance de minha autoria, pela Arca Literária

Sinopse do livro OS ARCANOS, romance de minha autoria, pela Arca Literária . Interessados em adquirir um exemplar, entrem em contato pelo meu e-mail: duarte.mauricioantonio.maurici@gmail.com 



Romance que narra um dia da vida do caminhante Nonato Cardoso dos Santos em Juazeiro do Norte na celebração de Nossa Senhora das Candeias. Nesse dia Nonato descobrirá que pode ser mais do que um devoto, pode alcançar a santidade. Por qual meios e por quais caminhos isso acontecerá (visões e poderes sobrenaturais) é o tema da aventura do viajante que deixou família com mulher e filho em Exu para viver a sua devoção por Jesus Cristo, Deus e o Espírito Santo.

​​​​​​​http://www.arcaliteraria.com.br/os-arcanos-mauricio-duarte/

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Entrevista à Ceiça Carvalho do Arca Literária

Entrevista minha à Ceiça Carvalho do Arca Literária (27/07/2016).

http://www.arcaliteraria.com.br/30746/



1. Fale-nos um pouco de você.
Eu sou um meditador.  Tanto no sentido que nós, no ocidente temos; meditar sobre um determinado assunto ou sobre um tema, quanto no sentido oriental: esvaziar a mente de pensamentos e conectar-se com o amor divino.  O enlevo é que traz as coisas celestes e esse enlevo pode vir pela arte, pela literatura, tanto quanto pela oração e pela meditação.  Só no enlevo podemos fazer a escolha certa, a escolha pela evolução espiritual.  Escolha que é livre, tem que ser livre, nunca por coação.  Como neossanyasin e católico eu me utilizo da arte e da poesia para atingir o enlevo, dentre outros objetivos, como a reflexão, o pensamento crítico ou apenas a fruição estética.  Acesse meu blog: Arte para enlevo . http://www.arteparaenlevo.blogspot.com.br .  Leio muito e gosto de futebol e vôlei.  Adoro traduzir textos antigos sobre espiritualidade do inglês para o português.  A sensualidade feminina me fascina muito. Gosto de ouvir música clássica, rock e new age.
2. O que vc fazia/faz além de escrever? De onde veio a inspiração para a escrita?
Sou artista visual e ilustrador, além de designer gráfico e web designer por formação.  Trabalho com poesia, contos e romance como escritor e também estou cursando a pós-graduação em Docência do Ensino Superior para me dedicar ao ensino.  A inspiração para a escrita veio pela coleção de história-em-quadrinhos de super-heróis na minha infância e juventude, primeiramente.  E também por algumas experiências em romance na minha adolescência no colégio em concurso e depois por conta própria.  Os jogos de RPG (Role Playing Game) e a atividade como anarquista – um período mais ou menos recente da minha vida que já passou – também me levaram a escrever.
3. Qual a melhor coisa em escrever?
Trazer à realidade os mundos e universos interiores, colocando para fora sentimentos, pensamentos, reflexões e meditações a respeito da vida e do cotidiano. Escrever é manter viva a conexão com todo o arcabouço histórico e literário do imaginário da nossa identidade como povo brasileiro e como cidadão cosmopolita que a globalização, embora tão nociva e destruidora em inúmeros aspectos, também permite, sob outros pontos de vista.
4. Você tem um cantinho especial para escrever?
Escrevo normalmente na mesa da sala de estar, da minha casa, embora eu tenha um espaço reservado e separado na área de entrada junto com o computador com mesa de desenho e pintura, junto com livros e materiais diversos.  A foto que eu envio é da mesa da sala de estar.
5. Qual seu gênero literário? Já tentou passear em outros gêneros?
Como poeta me situo num eu lírico em versos livres, geralmente. Gosto do romantismo e do expressionismo, trafegando por essas vertentes, bem como pela poesia social e espiritualista.  Gosto de Carlos Drummond de Andrade, nosso mestre maior.  Em contos e romances passo pelo inusitado e pelo insólito, bem como pelo texto simples e direto, espiritualizado e envolvente.  Gosto de Paulo Coelho, por exemplo.  Já escrevi ficção científica em contos e em prosa poética, que não é meu gênero literário favorito.
6. Fale-nos um pouco sobre seu(s) livro(s). Onde encontra inspiração para título e nomes dos personagens?
VOZES QUE CALAM é o resultado da minha seleção no Concurso da Editora Literacidade com a Coleção Sementes Líricas. Esse livro é composto por poemas de pequeno número de versos e bastante concisos com temas muito variados, mas com uma linha condutora nas vozes que muitas vezes se calam ou que calam outrem; vozes enfáticas e contundentes ou abafadas e sufocadas.  São as vozes mais necessárias.
OS ARCANOS é proveniente do Desafios dos Escritores, programa do Núcleo de Literatura de Brasília que eu participei pela internet.  O livro narra a aventura de um dia de vida do devoto caminhante Nonato Cardoso dos Santos que larga a esposa e o filho para ir até Juazeiro do Norte. Nessa cidade comemorava-se a procissão de Nossa Senhora das Candeias e a saga de Nonato por meio de visões e acontecimentos sobrenaturais o leva à santidade nesse dia.
A inspiração  para títulos e nomes dos personagens vem de dois aspectos que levo em consideração: pesquisa; em relação ao tema proposto e à sonoridade do título ou do nome e evocação pessoal; ao que me remete aquela frase, palavra ou nome.
7. Qual tipo de pesquisa você faz para criar o “universo” do livro?
Pesquiso ambientes, lugares e estilos de época relativas à história do romance que estou fazendo ou contos. Pesquiso uma linha norteadora de visão do mundo para poesia.  Muitas vezes, começo um texto “pela metade”; quero dizer que começo num diálogo ou no meio do poema ou num acontecimento no meio da história e daí, racionalizo e componho o final e depois o início, ou ao contrário, primeiro o início e depois o final.  Portanto, a minha pesquisa vai sendo direcionada, de acordo também, com esse recorte da criação.
8. Você se inspira em algum autor ou livros para escrever?
Inspiro-me muito em Paulo Coelho que é inclusive meu patrono na Academia Virtual de Letras, que eu participo na internet. Alexei Bueno e Cecilia Meireles na poesia.  Também gosto muito da linguagem seca de Graciliano Ramos. Com relação aos livros que me marcaram: Frankenstein de Mary Shelley , Macunaíma de Mário de Andrade,  o Pequeno Príncipe e Meu Pé de Laranja Lima; esses dois últimos que sempre esqueço de citar.
9. Você já teve dificuldade em publicar algum livro? Teve algum livro que não conseguiu ser publicado?
Minhas publicações são todas sob demanda no Clube de Autores. Somente esse ano, finalmente, consegui publicar de forma convencional pela Editora Literacidade, meu primeiro livro de poemas com ISBN, ficha catalográfica, tudo pronto, a partir do Concurso dessa Editora do Pará, capitaneada pelo grande Abílio Pacheco.  Antes disso, procurei e recebi várias propostas para publicação de editoras pequenas e médias, mas não pude acertar com nenhuma delas por impedimento financeiro, já que essas editoras precisavam que eu bancasse totalmente ou parcialmente a publicação.
10. O que você acha do novo cenário da literatura nacional?
A geração que estreou em livro nas primeiras décadas do nosso século XXI é muito diversificada. Gosto do Lourenço Mutarelli e do Michel Melamed. Mas tem muitos outros.  E são todos muito bons. 2/3 da população brasileira é analfabeto funcional, só 15% da população entre 20 e 60 anos de idade tem curso superior.  Vivemos um abismo social.  Nesse contexto vejo com bons olhos o nosso literário atual.  Poderia ser melhor, mas não é ruim.  Já tive uma opinião muito diversa dessa.  Acho que o tempo vai passando e a gente vai percebendo que nada é tão ruim que não possa piorar e nada é tão bom que não possa melhorar (risos). Enfim, é a realidade, temos que aceitar.
11. Recentemente surgiram vários pessoas lançando livros nacionais, uns são muito bons, outros nem tanto, outros são até desesperadores, o que você acha sobre este boom?
A facilidade e a difusão da internet permitem uma ampliação do conhecimento nunca antes vista. Tanto no sentido do conteúdo do que se escreve e do como se escreve quanto na editoração e na publicação desses escritos.  Todos tem voz e vez.  Isso é positivo, no meu entender.  Tem mercado suficiente, ao menos potencialmente, para o kitsch, para o misticismo barato e para obras de grande valor literário.  Tem literatura para todos os gostos, tanto para o leitor médio quanto para o leitor sofisticado.  Já fui muito mais crítico do que hoje sobre esse assunto.  Dizem que é a idade, a gente vai amadurecendo (risos) e aceitando certas realidades.
12. Qual sua opinião sobre os preços elevados dos livros nacionais?
Se você pensar que a educação, um bem universal, é tratado como mercadoria ou semi-mercadoria na nossa atualidade, podemos perceber que não há preocupação com a cultura, de maneira nenhuma. Na verdade, os preços dos livros nacionais refletem essa opção pela elite que o Brasil está fazendo. Hoje, não sou de direita nem de esquerda, sou de centro, sou centrista, mas é inegável que a política neoliberal tem aumentado a exclusão social grandemente.
13. Qual livro você falaria: “queria ter tido esta ideia”?
O Vencedor está só de Paulo Coelho. É um livro que foge um pouco do padrão do autor.  Ele narra o mundo do show bussiness, das celebridades e dos grandes negócios de forma espetacular.
14. Se tivesse que escolher uma trilha sonora para seus livros qual seria?
Fire de Kitaro, Esse tal de Roque Enrow de Rita Lee e Persuassion de Santana
15. Já leu algum livro que tenha considerado “o livro de sua vida”?
Frankenstein de Mary Shelley. É um livro aterrador e impressionante como está tão atual e novo, a cada dia que passa.  O cientificismo e a tecnociência ameaçam nos levar a um mundo sem ética nem valores e a criar monstros se não estivermos atentos.
16. Você tem novos projetos em mente? Se sim, pode falar sobre eles?
Gostaria de manter segredo sobre o que estou planejando, mas posso adiantar que estou trabalhando em contos e num romance, mas sem nenhuma perspectiva de término ainda. Fora isso, participarei de muitas coletâneas de poesia brevemente.
17. Você acompanha as críticas feitas por blogueiros nas redes sociais? O que você acha sobre isso?
Os blogueiros tem muito a contribuir para o nosso cenário literário e efetivamente o fazem. Gosto de alguns blogs, mas raramente acompanho.
18. Se pudesse escolher um leitor para seu livro (escritor, alguém que admire) quem seria?
Gostaria que o Lourenço Mutarelli lesse um livro de minha autoria. Gosto muito dos quadrinhos dele.
19. Qual a maior alegria para um escritor?
A maior alegria, sem dúvida, é ser lido. Cada vez que um  leitor(a) se emociona com o que o escritor(a) colocou no papel, ou na tela, é um novo alento para que continue seu trabalho.  Para mim, em particular, é uma vitória dupla porque minha formação é muito mais visual do que literária, mas talvez por causa disso mesmo, eu tenha enveredado pela literatura.  Se eu tivesse feito uma formação em Letras, teria ficado nas artes visuais, somente, contrariamente, não sei.  A imagem hoje domina e não tem como escapar.
20. Deixe uma mensagem a nossos leitores e para aqueles que estejam iniciando no mundo da escrita literária.
Agradeço a oportunidade à Ceiça e à Arca Literária de falar sobre meu trabalho. A mensagem que eu deixo é:  Leia sempre e aprenda sempre.  Não tenha medo de errar quando estiver escrevendo. Só no erro se acerta.  E não tenha pressa de publicar.  Tudo tem seu tempo.  Publicar só para dizer que publicou não quer dizer nada.  Tenha em mente que o bom texto aparece ao deixarmos fluir nosso imaginário mais íntimo, mais visceral e isso leva tempo.  Acredite que o trabalho do escritor é 99% de transpiração e 1% de inspiração.  Trabalhe sempre.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Brasil de A a Z . antologia literária (lançamento)

O livro Brasil de A a Z, antologia literária está sendo lançado.  É uma publicação de poesias, contos e crônicas que conta com 35 autores, resultado da seleção do Concurso Brasil de A a Z promovido pela editora Litteris. Um poema meu foi publicado nessa antologia. 

O livro tem 80 páginas, capa colorida, miolo em PB
Preço: R$ 20,00

Comprando comigo, leva meu autógrafo, especialmente para você, mas tenho poucos exemplares. Quem estiver interessado, faça contato por aqui mesmo ou pelo meu e-mail: duarte.mauricioantonio.maurici@gmail.com