segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Proclo . Capítulo V . Neoplatonismo . Livre tradução do livro Pantheism and Christianity de John Hunt . 1884

Capítulo V . Neoplatonismo
Proclo

Na última parte do quinto século, numa tarde, um jovem homem, sem nem vinte anos de idade, chegou à Atenas.  Ele tinha vindo da Alexandria para completar seus estudos pelos cuidados de alguns celebrados filósofos.  Antes de ter entrado à cidade, ele parou para descansar no templo de Sócrates e se refrescou com a áua da fonte que também era consagrada à saga ateniense.  Ele terminou sua jornada e, quando chegou à Atenas, o porteiro, dirigindo-se a ele, disse: “Eu estava por fechar a ponte se você não viesse.” As palavras do porteiro foram, muito tempo depois, interpretadas como uma profecia que, se Proclo não tivesse vindo à Atenas, a filosofia então teria se perdido.   Ele prolongou a existência da filosofia para outra geração.  Chegando em Atenas, ele encontrou Syrianus que era o mestre da escola.  Syrianus o levou a Plutarco, que tinha sido seu predecessor, mas que havia se retirado do ensino, tendo recomendado seus discípulos a Syrianus.  Plutarco tomou conhecimento do gênio e do ardor do jovem Proclo, desejou ser seu professor e, assim, eles começaram seus estudos.  Plutarco tinha escrito muitos comentários sobre Platão e, para excitar a ambição de Proclo, ele fez como que o discípulo corrigisse esses escritos, dizendo: “A posteridade deverá conhecer esses comentários pelo seu nome.” Syrianus o fez que elee lesse Aristóteles que ele tinha sabido como aos departamentos inferiores da ciência.  Então ele abriu ao discípulo o sagrado dos sagrados – o divino Platão.  Quando ele encontrou o mestre Platão, foi iniciado nos mistérios da mágica e da adivinhação. Em tempo, ele se tornou famoso por sua sabedoria universal e sua doce e persuasiva eloqüência, que o fazia já mais atrativo por suas solenes e ótimas maneiras, além da grande beleza de personalidade.
Proclo combinou todos os filósofos formais, religiões e teologias num amálgama eclético e tomou emprestado as ilustrações de Platão como interpretadas por Plotinus e reconsideradas por Porfírio e Jâmblico.  Nas suas mãos a harpa de toda escola é vocal com a divina filosofia de Plotinus. Nós ainda ouvimos discursos do um e dos muitos; a esterilidade do um sem os muitos; e a morte dos muitos sem o um.  Nós ainda ouvimos como o todo é ambos,  o um e os muitos e, como a existência tem a sua primavera da multiplicação da unidade. O universo, diz Proclo é constituído por harmonia e o que é harmonia senão variedade em unidade.  Na mente do grande Arquiteto, as idéias existem como o um e como os muitos.  Ele mesmo é o Um – a mais alta unidade que abarca as três unidades divinas: essência, identidade e variedade.  Essa é a primeira Trindade, com a qual estão todos os vazios concebidos e vácuos no universo do ser.  Dessa primeira Trindade procede todas as outras; como o simples ser é três em um, assim todos os outros seres cada um tendo dois extremos e um intermediário.  Se nós considerarmos a Trindade, essência, identidade e variedade, o resultado é – ser, vida e mente.  Cada unidade, que é também uma trindade, procede da Trindade e cada uma é a multiplicidade que pertence ao supremo um, a unidade primeira, que é o não-ser, porque ele está além do ser.  Mas as necessidades e limitações da nossa razão requerem que nós falemos dele como um ser.  Ele é, no entanto, chamado o ser absoluto, da qual a substância divina todas as coisas estão cheias.  Se nós pudéssemos conceber uma pirâmide de seres, com a qual cada um é uma trindade em unidade, nós teríamos uma concepção de uma visão aérea favorita do cérebro de Proclo.  Mas como a pirâmide da nossa imaginação é finita, nós não devemos pensar que ela representa verdadeiramente todos os seres, que são infinitos.  Num momento, nós podemos dizer que o não-ser está na cabeça dela, para o primário Um está além do ser e nada está na base dela, para baixo está o que está embaixo de todos ser, mas num outro momento, nós teríamos que declarar que o ser não tem cadeias, nenhuma  prisão de paredes, que não há “além” fora de todo o universo e, no entanto, Deus está além do ser, aquele que não pode ser entendido pela razão, pode ser conhecido como o ser infinito.  Nós devemos pensar numa pirâmide indo da maior sumidade da posição suprema descendo até o menor degrau do ser; constituindo, preservando, adornando todas as coisas e unindo-as em si mesmas.  Primeiro, nós devemos pensar nela como uma descendente de seres verdadeiramente existindo, dos divinos povos até as divindades que presidem acima da raça humana, depois os espíritos humanos e, por último os animais, plantas e as mais baixas formas da matéria – que não importam em nada.  Numa imagem dessas nós temos uma ideia do processo eterno dele que é super-essencial e, no entanto, a maior essência verdadeira para a que é não-essencial e que não tem nenhum topo de essência.   Eles derivam as suas multiplicidades por uma progressão que origina-se da separação do um do mesmo modo que os raios divergem e procedem de um centro.  Desse modo, embora na natureza existam muitas formas e no universo existam muitos deuses, espíritos e no hades, muitos heróis, há, no entanto, uma essência para todos.  Em todo lugar é a mesma coisa.  Essa essência está em nós, Deus é tudo e nós e toda a existência somos a expressão do Um inefável e supremo.
Proclo foi um genuíno platonista.  Ele começou e terminou com Deus.  Ele viu todas as coisas em Deus e Deus em todas as coisas.  O mundo é uma mudança constante, seu fenômeno é efêmero. Nós somos espectadores do drama.  Seria o nosso ser apenas fenomenal?  Somos uma parte do mundo ou há em nós alguma coisa do Um, do Eterno?  Nossos pés estão na lama e nossas cabeças entre as nuvens.  Nossos primeiros pensamentos revelam-nos nossa grandeza e o nosso nada; nosso exílio e a nossa terra nativa; Deus é o nosso tudo e o mundo, devemos passar por ele para chegar a Deus.  Essa Tríade é a fundação da filosofia, o dado indisputável com o qual nós devemos começar.  Como o mais perfeito existe, Proclo não parou de inquirir.  Nossa razão prova, claramente e distintamente, que é assim.  Com pouco ele pergunta se o mundo existe, ele está antes de nós, podemos vê-lo e senti-lo.  O homem, por suas paixões e seus desejos do corpo é desenhado pela terra, pela filosofia, pela inspiração e divinamento, ele é elevado a Deus.
A contradição envolvendo a identidade do Um e dos muitos não é nada para Proclo senão o que fora para seus predecessores.  O Um é perfeito, os muitos são imperfeitos.  O Um é eterno, os muitos são temporários.  O Um existe sozinho, é necessário para sua perfeição que ele esteja sozinho e verdadeiramente o todo foi feito antes do imperfeito, mas também é necessário à sua perfeição que ele não esteja sozinho.  Ele deve ter pensamento e o pensamento deve ser um objeto.  Deus deve ser a unidade absoluta e ainda, Deus criador; o um de Parmênides, o “imovível móvel” de Aristóteles e , ainda, a mente ou o Demiurgo de Platão.  O Um é Deus em si mesmo, o último santuário da divindade. O outro é o Deus da criação e providência, o Senhor e regulador do mundo.  Portanto, uma Trindade que não diferia  da de Plotinus.  O super-essencial Um, mente ou a mais perfeita forma do ser e alma que é necessária à existência da mente e preserva sua imobilidade enquanto une-a ao mundo.  “Das mãos de Proclo” diz M. Simon, “nós recebemos o deus da experiência e o deus da especulação separadamente estudados pelas escolas antigas, reuniddos por alexandrinos numa unidade absoluta, como Deus dos eleáticos  e mente como liberdade, tão cheio de vida e fecundidade como o Demiurgo de Platão.”

A conversão de Constantino colocou em cheque a carreira da filosofia.  Ela foi restaurada por Julian, que aderiu à escola teurgica de Jâmblico.  Julian foi um amante do divinamento, sempre certo de ler o poder dos deuses nas entradas das vítimas.  Ele cultuou o sol como nós supomos que os neo-platonistas costumavam fazer, mas foi o sol inteligível – Deus emanado em luz – a busca da essência, perfeição e harmonia.  “Quando eu era um garoto”, ele diz, “ eu costumava alçar meus olhos para o esplendor eterno e minha mente lutava com ânimo, parecendo ir além de si mesma.  Eu não apenas desejava ver com os olhos, fixos naquilo, mas até quando chegava a noite quando eu estava fora de um céu puro, esquecendo de tudo que estava abaixo daquilo, eu admirava, tão absorvido nas belezas dos céus estrelados que alguma coisa foi dita a mim que eu não ouvi nem tinha conhecido antes, e que eu estava fazendo naquele momento.” O sol que então tinha iniciado a ele em sua juventude, ele cultuou como Deus muito depois – o pai como alguns filósofos dizem, de todas as coisa animadas.  Libanius disse, “Ele recebeu os raios do sol com sangue e, de novo, atendeu a ele com sangue em prosseguimento.  E porque ele não poderia ir até o sol, como queria, ele fez um templo no seu palácio e colocou altares no seu jardim que eram o mais puro nível.  “por devoções freqüentes, ele envolveu deuses para auxiliar na guerra, cultuando Mercúrio, Ceres, Marte, Calíope, Apolo, que ele cultuou em seu templo na montanha e na cidade.”  Depois de Julian, a filosofia reviveu em Atenas, onde floresceu até 520 a.C. quando as escolas foram expulsas pelo decreto de Justiniano. O último neo-platonista foi  João de Damasco.


As histórias dos filósofos mencionadas no final do último capítulo contem dados dos filósofos neo-platonistas.  Esse capítulo é derivado, principalmente, do trabalho de M. Jules Simon, em Historie de l´Ecole d´Alexandrie.  Plotinus não escreveu nada, senão alguns dos seus escritos, arranjados em nove seções ou Emreads, que foram preservadas por Porfírio.  Proclo escreveu na teologia de Platão e nos comentários de Timaeus, que foram traduzidos para o inglês por Thomas Taylor.

Livre tradução de Mauricio Duarte (Divyam Anuragi) do livro Pantheism and Christianity de Jonh Hunt . 1884.

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